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Estudo vincula radiação do celular a tumor raro em ratos

Todd Shields e Michelle Fay Cortez

(Bloomberg) -- Um estudo abrangente sobre a exposição à radiação emitida por telefones celulares encontrou um risco aumentado de um tumor raro em alguns roedores, embora o cientista responsável tenha alertado contra tirar conclusões a respeito do impacto sobre os seres humanos.

Ratos machos desenvolveram tumores cardíacos quando expostos a altos níveis de um tipo de radiação usada pela telefonia móvel, de acordo com os resultados preliminares divulgados na sexta-feira. Ratos machos e fêmeas não obtiveram os mesmos tumores, segundo os estudos. Os resultados foram publicados na internet.

Os estudos toxicológicos de 10 anos e US$ 25 milhões são as avaliações mais abrangentes até o momento dos efeitos sobre a saúde e a exposição à radiação de radiofrequência em ratos e camundongos, de acordo com a nota na internet do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental (NIEHS, na sigla em inglês), uma unidade dos Institutos Nacionais de Saúde, o órgão de pesquisa médica dos EUA. A sede do programa de toxicologia é o NIEHS.

As conclusões não devem ser extrapoladas para os seres humanos porque os ratos foram expostos a níveis mais altos de radiação do que as pessoas, mesmo com o uso intenso de telefones celulares, disse John Bucher, cientista sênior do Programa Nacional de Toxicologia. Os ratos receberam radiação sobre o corpo inteiro, nove horas por dia, durante dois anos.

Usuários frequentes

"Eu não mudei meu jeito de usar o celular", disse Bucher em entrevista concedida por telefone a jornalistas.

No entanto, em um comunicado enviado por e-mail, Bucher afirmou que os tumores observados nos estudos "são semelhantes aos tumores relatados anteriormente em alguns estudos de usuários frequentes de celulares". Questionado se isso indica um risco para os seres humanos, ele disse que as operadoras de telefonia estão "avançando cada vez mais para reduzir as exposições de energia aos seres humanos" à medida que novas gerações de serviços móveis se tornam disponíveis.

Alguns estudos encontraram evidências limitadas de um risco aumentado de câncer devido ao uso do telefone celular, de acordo com o comunicado do NIEHS na internet.

E dois anos depois, os tumores cardíacos foram "a única constatação positiva na qual realmente pudemos confiar", disse Bucher a jornalistas. "Os relatórios não vão muito além do que informamos anteriormente."

'Sem risco conhecido à saúde'

A CTIA, a associação comercial das operadoras de telefonia móvel, que inclui a AT&T e a Verizon Communications, informou que segue a orientação de especialistas em relação aos efeitos sobre a saúde.

"Organizações e especialistas em saúde, tanto internacionais quanto dos EUA, conservam a antiga conclusão de que a evidência científica não mostra nenhum risco conhecido à saúde devido à energia de radiofrequência emitida por celulares", disse Justin Cole, porta-voz do grupo comercial.

Os estudos do Programa Nacional de Toxicologia devem ser submetidos à revisão por pares em uma reunião em março.

--Com a colaboração de Susan Decker

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