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Nova York consegue elevar segurança em bairros violentos

Henry Goldman

05/02/2018 15h40

(Bloomberg) -- Há apenas alguns anos, a violência em Tompkins Houses, no Brooklyn, em Nova York, estava tão desenfreada que os moradores chamavam a passagem que atravessa o complexo de habitação social de "Vale da Morte".

"Se você dava valor à vida, você não passava ali", disse Leora Keith, 76, presidente da associação de moradores que mora lá há mais de 40 anos.

Tompkins e outros 325 projetos de habitação social da cidade eram exceções enquanto a cidade de Nova York registrava 24 anos consecutivos de queda da criminalidade. Agora eles também estão mostrando números mais baixos, com uma queda de 22 por cento em homicídios, roubos e tiroteios desde 2013. Isso ajudou a cidade a diminuir o total de assassinatos para 291 no ano passado, o número mais baixo desde 1951. Chicago, com um terço da população de Nova York, registrou mais que o dobro de assassinatos; Filadélfia registrou 317.

Em Tompkins, no bairro Bedford-Stuyvesant do Brooklyn, a criminalidade caiu 45 por cento desde 2013, sem nenhum homicídio e apenas dois tiroteios em cada um dos últimos dois anos. A maioria das cidades americanas vem registrando menos crimes, mas a queda de 85 por cento no número de crimes violentos desde 1990 em Nova York supera todas as outras.

Análise

Na década de 1990, a cidade de Nova York registrava mais de 2.000 homicídios por ano. Quando Bill de Blasio tomou posse da prefeitura em janeiro de 2014, a cidade já tinha reduzido a criminalidade em mais de 75 por cento. Escritores de editoriais e opositores políticos manifestaram dúvidas sobre a possibilidade de a taxa cair muito mais, especialmente porque De Blasio se opunha a que a polícia parasse e revistasse pessoas na rua.

Análises de dados feitas após a posse de De Blasio pelo CompStat, o sistema do departamento de polícia da cidade que mapeia e categoriza crimes, mostraram que os complexos de habitação social responderam por 20 por cento dos crimes violentos da cidade. Os funcionários da prefeitura se concentraram nos 15 mais perigosos, entre eles Tompkins.

"Não foi uma surpresa que os moradores desses projetos tenham se saído pior quanto a oportunidades de emprego, educação, saúde", disse Amy Sananman, diretora executiva do Plano de Ação do Prefeito para a Segurança nas Vizinhanças. "Percebemos rapidamente que essa situação não ia ser resolvida mandando a polícia."

O programa de US$ 13 milhões por ano dirigido por Sananman garante empregos para os jovens durante o verão e conecta os moradores a serviços de orientação, capacitação para empregos, assessoria e assistência médica. Parte dos US$ 150 milhões em fundos de capital pagaram por luzes e câmeras em Tompkins, além de novos cadeados eletrônicos e de um centro comunitário renovado com pessoal noturno.

Mudanças

O agente Jarrett Akins patrulha Tompkins há 12 anos, e o agente Marc Lebron, há 10. Akins disse que ocorreram três tiroteios em sua primeira semana no lugar.

O destaque do ano passado, disseram eles, foi a produção de um show de comédia antes do Natal no centro comunitário local, que atraiu moradores de Tompkins e de outros dois projetos que tinham sido centros de guerras entre gangues rivais.

"Antes, garotos de todos esses lugares se metiam em brigas na rua", disse Lebron. "No show de Natal, eles vieram para se divertir."

--Com a colaboração de Elizabeth Campbell

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