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Para gestor de US$ 19 bi, MiFID II piorou transparência

Jonas Cho Walsgard, Frances Schwartzkopff e Sveinung Sleire

05/02/2018 11h40

(Bloomberg) -- O responsável pela área de renda fixa da Nykredit Asset Management se pergunta o que aconteceu com o belo e transparente mercado de títulos atrelados a hipotecas no qual ele atua há tanto tempo.

Desde que a Europa implementou, no mês passado, a revisão da Diretiva de Mercados em Instrumentos Financeiros (conhecida pela sigla MiFID II), uma plataforma única para os preços dos títulos foi substituída por esquema fragmentado, de acordo com Henrik Jorgensen, que supervisiona aproximadamente US$ 19 bilhões em Copenhagen.

"Historicamente, a transparência era extremamente boa no mercado de hipotecas da Dinamarca porque todas as transações eram relatadas à Nasdaq OMX", disse Jorgensen. Mas agora, "?parece que nem todos os dados estão chegando à Nasdaq OMX, como ocorria antes". E isso significa que a "transparência está mais bagunçada comparada ao que havia antes", ele avalia.

Conformidade antecipada

Segundo a Nasdaq, não houve alteração no conteúdo. "Na Dinamarca, o mercado de títulos estava em conformidade antes de MiFID II porque, com MiFID I, a Dinamarca se decidiu pelo reporte de transações com títulos no mercado de balcão, além de ações", afirmou por email o porta-voz Javier Lopez Garrido. "Portanto, MiFID II para títulos dinamarqueses afeta meramente como as transações são publicadas, a informação é a mesma de antes."
Já Jorgensen entende que "atualmente, parece que os dados simplesmente não estão chegando".

O comentário sugere que o esforço histórico da Europa para aprimorar a transparência dos mercados trouxe algumas consequências indesejadas. Compradores e vendedores no mercado dinamarquês de títulos garantidos por hipotecas, que movimenta US$ 440bilhões, antes só precisavam acessar a Nasdaq OMX para saber os preços.

MiFID trouxe plataformas concorrentes. Agregar os dados dessas plataformas para criar um retrato completo do mercado tem sido mais difícil do que se previa.

Anders Balling, responsável pela divisão de mercados de capitais da Autoridade de Supervisão Financeira da Dinamarca, afirma que os problemas são apenas questões de adaptação que logo serão superadas.

"As mudanças que vieram com MiFID II têm longo alcance e isso também significa que várias questões precisam ser administradas, incluindo os sistemas de TI que se reportam a nós e também os que tornam as transações públicas", ele acrescentou.

Problemas técnicos

Segundo Jorgensen, parte do problema é que "hoje se pode enviar a informação a qualquer bolsa que quiser, até no caso dos investidores dinamarqueses. Eles podem enviar a informação à Deutsche Boerse ou outra plataforma". A Bloomberg L.P. está entre as empresas que fornecem plataformas para assistir clientes nas exigências de reporte de MiFID II.

Como MiFID II só tem um mês de idade, Jorgensen afirma que a questão pode se resumir a "coisas técnicas; espero que em um ou dois meses possamos ver a mesma informação que antes".

Por ora, a impressão é que a transparência foi prejudicada. "As velhas regras na verdade são melhores do que as novas regras", disse Jorgensen. "Para o mercado dinamarquês, introduzimos algumas regras novas nas quais a transparência é pior do que nos velhos tempos."

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