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BIS vê 'forte argumento' para intervenção em moedas digitais

Catherine Bosley e Alessandro Speciale

06/02/2018 13h57

(Bloomberg) -- Existe "forte argumento" para as autoridades colocarem rédeas nas moedas digitais por causa de seus vínculos com o sistema financeiro tradicional, afirmou o gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Agustin Carstens.

Em seu primeiro discurso de peso como comandante da instituição sediada na Basileia, na Suíça, Carstens afirmou que os bancos centrais - juntamente com ministérios da Fazenda, órgãos de arrecadação tributária e reguladores dos mercados financeiros - deveriam policiar a "fronteira digital". Segundo ele, esses órgãos precisam garantir um território neutro e o funcionamento dos sistemas de pagamentos, além de salvaguardar o "real valor" do dinheiro.

O valor das moedas digitais disparou em 2017, mas desde meados de dezembro, a maior delas, a Bitcoin, perdeu dois terços do valor. Hoje a moeda caía 8 por cento para US$ 6.482 às 10:31 no horário de Frankfurt, após atingir US$ 5.922, de acordo com preços compostos da Bloomberg.

"Bitcoin não é funcional como meio de pagamento, mas depende do oxigênio proporcionado pela conexão com meios de pagamentos tradicionais e aplicativos de negociação que ligam usuários e contas bancárias convencionais", explicou Carstens em Frankfurt nesta terça-feira. "Se o único 'argumento como negócio' é o uso em transações ilícitas ou ilegais, os bancos centrais não podem permitir que essas fichas dependam de muito da mesma infraestrutura institucional que serve o sistema financeiro como um todo e aproveitarem de graça a confiança que oferece."

Embora a tecnologia de moedas digitais tenha potencial para reformatar o setor financeiro global, surgiram preocupações em relação a sua volatilidade e ao interesse por parte de criminosos. O BIS ajuda bancos centrais na busca por estabilidade monetária e financeira. Carstens, que assumiu a instituição no final do ano passado após deixar a presidência do banco central do México, se juntou a uma lista de autoridades que expressaram reservas em relação às moedas digitais.

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse a parlamentares europeus na segunda-feira que as moedas digitais devem ser vistas como ativos não regulamentados "muito arriscados" e que o braço de supervisão bancária do BCE avalia se as instituições de crédito da zona do euro têm exposição excessiva.

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, no mês passado, um integrante do Conselho Executivo do BCE, Benoit Coeure, pediu que as nações do Grupo dos 20 discutam maneiras de regulamentar a Bitcoin na reunião que terão em março. A primeira-ministra britânica, Theresa May, prometeu que consideraria impor restrições.

Nos EUA, o presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), Christopher Giancarlo, e o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (SEC), Jay Clayton, vão chamar atenção para brechas potencialmente perigosas nas regras de negociação de moedas digitais nesta terça-feira durante depoimento ao Comitê de Bancos do Senado, de acordo com cópias de anotações obtidas pela Bloomberg.

Outro integrante do BCE, Yves Mersch, falará sobre moedas digitais e sua tecnologia subjacente durante uma palestra em Londres, na quinta-feira.

Adulteração

Os programadores que desenvolvem moedas digitais afirmam que elas são imunes a diluição provocada por governos e bancos centrais porque o número de moedas em circulação é fixo. No entanto, Carstens afirma que a proliferação dos desmembramentos equivale à adulteração da moeda no mundo moderno.

Mesmo ressaltando que, na opinião de muita gente, as moedas digitais não são uma ameaça sistêmica porque ainda se limitam a um nicho, ele alertou que isso pode mudar rapidamente.

"Se as autoridades não agirem preventivamente, moedas digitais podem ficar mais interconectadas com o sistema financeiro central e se tornar uma ameaça", ele explicou. "Mais importante, com a ascensão meteórica das moedas digitais, não podemos nos esquecer do papel importante dos bancos centrais como administradores da confiança do público. Fichas digitais privadas que se passam por moedas não podem subverter essa confiança."

(Bloomberg) -- Existe \"forte argumento\" para as autoridades colocarem rédeas nas moedas digitais por causa de seus vínculos com o sistema financeiro tradicional, afirmou o gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Agustin Carstens.

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