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Carros autônomos afetam princípios do mercado imobiliário

Jack Sidders e Jessica Shankleman

(Bloomberg) -- O vínculo entre imóveis e transporte talvez tenha sido o mais durável da história da humanidade.

Desde os povos ancestrais, poucas coisas garantiram um valor mais alto a terrenos quanto os avanços no transporte, como estradas e canais, ferrovias e rodovias.

Isso continua "indiscutível" no século 21, diz Bridget Buxton. Ela comprou com o marido um apartamento para reformar em uma parte negligenciada do leste de Londres em 2016 porque ficava perto da linha ferroviária de alta velocidade que atravessará a cidade e deve abrir neste ano. Os preços de casas como a dela subiram 90 por cento nos últimos cinco anos, superando a cidade inteira.

Mas agora, o surgimento dos carros sem motorista ? que prometem uma utopia de transporte sem estresse, playgrounds urbanos e o fim dos problemas para estacionar ? pode complicar o cálculo de quem vai comprar um imóvel.

"Talvez o setor mais revolucionado pelos veículos autônomos seja o imobiliário", disse David Silver, que ensina engenharia de direção autônoma na Udacity, uma universidade on-line com mais de 10.000 alunos que querem entrar no transporte do futuro. "Os negócios imobiliários podem deixar de se resumir tanto à localização."

Talvez demore um pouco: os primeiros exemplos de serviços de transporte sem motorista ? ônibus, táxis e vans de entrega ? já chegaram, mas a adoção generalizada pela população pode demorar mais uma década. Quase meio século passou entre o Modelo T, o primeiro carro para as massas, criado por Henry Ford em 1908, e o estabelecimento dos subúrbios projetados para motoristas. É por isso que investidores como Ric Clark, presidente da Brookfield Property Partners, a maior empresa de investimentos imobiliários do mundo, admitem que estão envolvidos em muita adivinhação.

Eles estão apenas começando a pensar sobre o que fazer com todo o espaço que poderia ser liberado em um mundo onde os carros deixem de ficar ociosos quase 95 por cento do tempo, se áreas pouco queridas por não terem transporte público massivo poderiam se tornar mais atraentes em breve, se lugares distantes se tornarão pontos valiosos para armazéns.

Entre os US$ 152 bilhões em ativos imobiliários da Brookfield estão cerca de 175 shoppings nos EUA, onde "a maior área física é superfície de estacionamento ou estrutura de estacionamento", disse Clark. "Durante anos, olhamos para esses lugares sonhando com construir apartamentos ou com a possibilidade de criar algum uso maior e melhor."

Assim como o fracking transformou profundamente a indústria do petróleo, dando nova vida a campos antigos, o futuro com veículos sem motorista oferece a possibilidade de liberar bairros inteiros.

Na cidade de Nova York, estacionamentos cobrem uma área equivalente a dois Central Parks, de acordo com estimativas publicadas pela Moovel Lab, unidade de pesquisa da Daimler com sede em Stuttgart; Londres ganharia um espaço equivalente a quase cinco Hyde Parks sem suas áreas de estacionamento.

Essa revolução também ofereceria um grande alívio para as pessoas mais atormentadas do mundo do trabalho ? os passageiros ?, anunciando uma nova era de expansão através do desenvolvimento de áreas periféricas.

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