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Soros e Cohen ampliam aposta em projeto de fintech na Argentina

Katia Porzecanski e Jorgelina do Rosario

06/02/2018 14h56

(Bloomberg) -- George Soros e Steve Cohen estão ampliando suas participações em uma startup de tecnologia argentina que pretende mudar a forma de economizar e gastar da população da segunda maior economia da América do Sul.

A Ualá, que lançou seu aplicativo bancário móvel em outubro com o apoio dos investidores bilionários, levantou US$ 10 milhões em uma rodada de financiamento de ações Série A liderada por Soros e encerrada na semana passada, segundo a Soros Fund Management. A Point72 Ventures, de Cohen, e o Jefferies Group também participaram.

Em um país onde menos da metade da população tem conta bancária, a Ualá oferece aos argentinos que entendem de tecnologia uma alternativa bancária de baixo custo por meio de seus smartphones. A demanda pelo produto -- que oferece um Mastercard pré-pago sem taxas de abertura, fechamento, manutenção nem renovação -- superou as expectativas da empresa.

Foram emitidos cerca de 50.000 cartões nos três primeiros meses da Ualá. No lançamento, o fundador Pierpaolo Barbieri disse que esperava 10.000 usuários até o fim de 2017. Agora, ele projeta 100.000 para um ano depois.

Frustrações com bancos

"As pessoas me perguntam quem é nosso cliente ideal, e nós queremos todos que estão frustrados com o sistema bancário e que querem nos ajudar a criar um produto melhor e mais acessível", disse Barbieri, 30. "Durante muito tempo, o setor bancário na Argentina tem representado um fardo para os pobres, e é isso que queremos mudar."

A economia argentina está se recuperando dos anos de isolamento dos mercados globais, controles de capital, políticas protecionistas e inflação galopante. Desde que Mauricio Macri assumiu a presidência, em dezembro de 2015, a Argentina atraiu mais de US$ 100 bilhões em promessas de investimento, segundo a Agência Argentina de Investimentos e Comércio Internacional. Cerca de US$ 3 bilhões foram prometidos por instituições financeiras, lideradas pelo Banco Santander, que anunciou em novembro o investimento de US$ 550 milhões em tecnologia digital para sua unidade argentina.

Na Argentina, 40 por cento da população já tem smartphone -- proporção que deverá aumentar para 70 por cento até 2020, segundo a GSM Association, uma associação do setor. O aplicativo da Ualá, com o qual os usuários se inscrevem para criar uma conta, era o quinto mais baixado entre os aplicativos financeiros na Argentina em 4 de fevereiro, segundo a empresa de pesquisa App Annie.

Expansão da Ualá

"Estamos empolgados para continuar trabalhando com a Ualá e apoiar seus objetivos de tornar o ato de economizar, os pagamentos e o crédito acessíveis aos indivíduos que não utilizam ou pouco utilizam bancos na Argentina e na América Latina como um todo", disse Ilan Stern, gerente de recursos da Soros Fund Management, que administra o patrimônio do filantropo.

Neste ano, a Ualá planeja se expandir para o ramo de crédito, incluindo conceder empréstimos pessoais e permitir que os usuários paguem em parcelas, disse Barbieri. O próximo passo será levar a empresa para outros países da região.

"Muitas vezes achamos natural a amplitude dos serviços financeiros digitais que estão disponíveis nos EUA e na Europa", disse Pete Casella, chefe de investimentos em fintech da Point72 Ventures. "A equipe da Ualá reuniu os serviços mais relevantes para a população argentina, e a adoção inicial reforça sua visão de produto financeiro digital moderno."

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