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Rei do `bandejão' aposta no Frango Assado para crescer

Fabiola Moura

16/02/2018 12h31

(Bloomberg) -- Se você já comeu no "bandejão" da Ford ou do Citigroup no Brasil, você conhece o tempero da Sapore SA, que serve 1,2 milhão de refeições por dia em mais de 1.100 restaurantes corporativos.

Agora, a empresa de serviços de alimentação quer se expandir para restaurantes de marca, incluindo as redes Frango Assado e Viena, e licenças de operação das americanas Olive Garden e Red Lobster, através de uma combinação com a International Meal Company Alimentação SA, conhecida como IMC. A Sapore propôs a fusão em 9 de fevereiro.

A Sapore, com sede em Campinas, vê uma oportunidade de economizar R$ 130 milhões por ano na IMC, ou cerca de metade dos ganhos estimados para a empresa combinada. O objetivo pode ser alcançado em três anos através da aplicação de "inteligência operacional" nos negócios da IMC, disse o diretor financeiro Elezir da Silva Jr. em uma entrevista. Se o acordo se concretizar, criará o maior grupo de alimentos da América Latina, combinando os restaurantes empresariais da Sapore e os restaurantes de cadeias mais conhecidos operados pela IMC.

"Nós compramos quase o dobro do que a IMC compra em termos de alimentos", disse Silva, referindo-se aos R$ 700 milhões que a Sapore gasta anualmente em alimentos. "Se eu aplicar o know-how dos meus fornecedores e usar minha rede de logística, posso economizar pelo menos 10% das despesas da IMC nesta área".

As economias em maquinário e treinamento de funcionários seguiriam um padrão semelhante, disse Silva. A Sapore usa vídeos de seis minutos que imitam a estética das novelas para treinar seus 15 mil trabalhadores.

A combinação proposta deixaria 50,5% da nova empresa sob controle da Sapore. Os acionistas da IMC também receberiam um dividendo extraordinário de R$ 355,3 milhões a serem financiados por empréstimos bancários, disse Silva.

A estrutura do negócio visa "limitar a alavancagem da empresa combinada", disse ele. "Como o negócio de alimentos tem uma margem apertada, precisamos ser muito cautelosos".

Os acionistas da IMC não parecem muito animados com a proposta e alguns analistas estão questionando os números. A IMC disse que seu conselho deve se reunir para estudar o assunto.

A avaliação das empresas é "muito difícil de justificar", a menos que todas as sinergias estimadas na empresa combinada sejam fáceis de entregar, analistas do Credit Suisse liderados por Tobias Stingelin escreveram em um relatório depois que a proposta se tornou pública. Isso "parece otimista".

A IMC caiu um pouco menos de 1% nos dois dias de pregão desde que a oferta foi anunciada, em comparação com um ganho de 4,2% para o Ibovespa. As ações estavam pouco alteradas na sexta-feira, a 9,28 reais na bolsa de São Paulo.

O fundador de Sapore, Daniel Mendez, ex-garçom que abriu seu primeiro restaurante há 26 anos, seria o chairman da empresa combinada e o diretor presidente da IMC Newton Alves manteria sua posição, disse Silva.

Mendez "tem o know-how e ele precisa ser a pessoa de influência", disse Silva. "Queremos nos concentrar nas operações e é por isso que esta combinação traz tantas sinergias".

A IMC foca sua expansão em aeroportos, rodovias e shopping centers. Além de operar restaurantes no Brasil, Colômbia, República Dominicana e Porto Rico, a IMC adquiriu a cadeia Margaritaville nos EUA em 2014. A Sapore administra restaurantes corporativos no Brasil, no México e na Colômbia e forneceu alimentos para os atletas nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016.