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Pratt tem solução temporária para motores da Airbus, dizem fontes

Anurag Kotoky, Richard Weiss e Benjamin D. Katz

21/02/2018 13h42

(Bloomberg) -- A Pratt & Whitney propôs o cancelamento de uma modificação de motor que deixou fora de operação quase uma dúzia de aviões Airbus A320neo e trabalha para consertar a falha mais recente a afetar o programa, segundo pessoas a par do plano.

A iniciativa engloba a substituição de uma nova vedação de motor por uma mais antiga que tinha sido descartada por problemas de durabilidade, disseram as pessoas, pedindo anonimato porque a questão ainda não foi informada ao público. Isso deve evitar atrasos na entrega e limitar o custo para a Pratt e a Airbus, embora ainda seja necessário realizar uma correção permanente.

A fabricante do motor afirmou que "lançou uma configuração revisada", mas não especificou a natureza da mudança. "A solução é baseada em um design com o qual a empresa tem significativa experiência e esta solução recebeu todas as aprovações regulatórias necessárias", anunciou a Pratt em comunicado, nesta quarta-feira. Os motores que incorporarão a mudança serão entregues a partir do mês que vem.

A Pratt, que faz parte da United Technologies, investiu US$ 10 bilhões no desenvolvimento de seu modelo de turbofan com engrenagens (GTF, na sigla em inglês), que proporciona eficiência de combustível para jatos de curta distância, mas os motores começaram a apresentar uma série de problemas que frustraram o lançamento comercial e geraram atrasos nas entregas. A solução encontrada deve ajudar a convencer os investidores de que a turbina -- e o A320neo -- não estão à beira de uma grande crise, mas a opção pelo componente original, também falho, não será suficiente a longo prazo.

A Pratt compete com a joint venture formada pela General Electric e pela Safran para equipar o avião de fuselagem estreita da Airbus e o desenvolvimento do GTF do início ao fim tem por objetivo consolidar o status da empresa como principal fornecedora do tipo de aeronave mais utilizado.

A Airbus encaminhou os pedidos de comentário à Pratt & Whitney. O porta-voz da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa, na sigla em inglês), Dominique Fouda, não respondeu imediatamente às mensagens deixadas por telefone e e-mail.
O problema de vedação tirou de operação aeronaves nas quais ambos os motores tinham as novas vedações, três delas operadas pela IndiGo, maior empresa aérea da Índia e maior cliente do A320neo.

Para colocar os aviões novamente em operação, todas as aeronaves agora são equipadas com pelo menos um motor sem modificação, cumprindo assim a norma de aeronavegabilidade da Easa, disse uma das pessoas. Essas aeronaves não terão permissão para operações estendidas sobre a água.

O CEO da United Technologies, Greg Hayes, deverá comentar o problema da vedação ainda nesta quarta-feira, segundo as pessoas.

Quase um terço dos 113 aviões A320neo equipados pela Pratt em operação conta com um ou dois motores com a falha mais recente, informou na semana passada a Airbus, que tem sede em Toulouse, França.

--Com a colaboração de Richard Clough