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Será que Wall Street algum dia abandonará as armas de fogo?

Laura Colby e Polly Mosendz

23/02/2018 12h22

(Bloomberg) -- Será que algum dia Wall Street se livrará das armas?

Essa pergunta já foi feita antes - após tiroteios em Newtown, em Orlando e em Las Vegas, entre outros.

Agora, os EUA estão com as emoções à flor da pele por causa dos assassinatos ocorridos na Flórida na semana passada e surgem indícios de que os investidores podem estar repensando seu longo e tenso relacionamento com a indústria de armas de fogo.

Na quinta-feira, dia em que o chefe da National Rifle Association emitiu uma refutação severa aos pedidos de um controle mais rígido sobre as armas, o maior banco privado do país anunciou que deixaria de emitir cartões de crédito patrocinados pela NRA.

Depois, a gigante dos investimentos BlackRock anunciou que estava explorando maneiras de excluir empresas de armas da carteira dos clientes que não querem mais investir nelas. Na Flórida, onde aconteceu a mais recente tragédia, professores expressaram frustração por seus fundos de previdência terem ações vinculadas às armas depois que foi revelado que as participações incluíam a fabricante do rifle de assalto usado para matar 17 alunos e educadores da escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas em Parkland.

Ativistas fazem apelos semelhantes há anos, mas os momentos oportunos acabaram passando em branco. Em conjunto, os acontecimentos recentes sugerem que, pelo menos por enquanto, a comunidade financeira sente a crescente pressão pública - e está se posicionando de acordo com ela.

"Chegou a hora de que o setor de serviços financeiros saia de cima do muro e se posicione", disse Jonas Kron, diretor de defesa dos acionistas da Trillium Asset Management, que se concentra em investimentos sustentáveis.

A questão é se outros investidores, grandes e pequenos, estão dispostos a abandonar os investimentos que perderam valor no ano passado. As vendas de armas - e as ações de empresas vinculadas às armas - caíram desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA. A ideia subjacente era que seu governo, ao contrário da anterior, provavelmente não iria defender controles mais rigorosos de armas, porque conta com o apoio da NRA.

Uma discreta reação vem crescendo há anos. Algumas dotações significativas, como o fundo da Universidade da Califórnia, de US$ 10 bilhões, venderam ações de companhias de armas após o tiroteio da escola primária de Sandy Hook em Connecticut, em 2012, que provocou pedidos de um controle maior das armas.

"Continuamos monitorando essas questões e levamos o assunto muito a sério", disse Dianne Klein, porta-voz do sistema universitário. Outros também estão fazendo isso. Na quinta-feira, o First National Bank de Omaha anunciou que não renovará seu contrato com a NRA para um cartão de crédito de marca devido ao "feedback dos clientes".

Não está claro quantos dos quase cinco milhões de membros da NRA possuem o cartão de crédito. Os representantes da NRA não deram retorno imediato a um pedido de comentários. A organização que defende os direitos garantidos pela Segunda Emenda à Constituição dos EUA continua oferecendo um cartão pré-pago, emitido pelo Republic Bank & Trust. O banco não respondeu a um pedido de comentários sobre o assunto.

Um número crescente de instituições, sejam fundos de previdência ou municípios, passaram a exigir que suas carteiras excluam as empresas que fabricam rifles e outras armas. Muitos dos fundos, como o gigante CalSTRS, representam um dos grupos mais afetados pelos tiroteios escolares: os professores.

--Com a colaboração de Neil Weinberg Jenny Surane e Kate Smith