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'Barriga' da curva de juros ainda oferece prêmio atrativo

Vinícius Andrade e Patricia Lara

(Bloomberg) -- O investidor ainda pode se beneficiar dos prêmios elevados no trecho intermediário da curva de juros, de acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg. Em meio à manutenção de surpresas baixistas com a inflação corrente, o viés continua sendo de queda das taxas futuras para a região em torno do DI para janeiro de 2020 e de 2021.

A decisão do CMN sobre o prazo médio de repactuação mínimo de títulos de renda fixa, anunciada na semana passada, teve mais efeito ao derrubar sobretudo as taxas dos vértices longos. Isso porque a ponta longa é o trecho que tem mais concentração de operações dos players afetados pela medida: fundos de investimento especialmente constituídos (FIE) de seguradoras e entidades abertas de previdência complementar. Na "barriga da curva", o impacto foi moderado.

Enquanto o DI Jan/27 despencou 28 pontos nos dois dias subsequentes ao anúncio da medida, o DI Jan/21 caiu apenas 8 pontos no mesmo período.

A inclinação da curva de juros oferece oportunidade aos investidores, com prêmio "enorme", disse Gabriel Gersztein, estrategista-chefe do BNP Paribas para câmbio e renda fixa na América Latina, em entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo, na segunda-feira.

Gerszstein vê oportunidade para ficar aplicado no trecho em torno de Jan/20 e Jan/21. Mesmo após a decisão recente do CMN sobre aplicações dos fundos de pensão já promover um movimento de desinclinação, o prêmio embutido na curva permanece anormalmente alto, segundo o BNP.

Há espaço para queda adicional da taxa no DI Jan/21, diz Isabela Guarino, economista da XP Gestão. Além da questão técnica, que está sendo resolvida desde a reunião do CMN, a economista aponta para o cenário "extremamente benigno" da inflação e dos núcleos, o que sugere a sustentabilidade dos juros em nível baixo.

A maior parte dos economistas aposta na manutenção do juro ao longo de 2018, como mostra a pesquisa Focus. Além disso, o mercado já precifica mais de 50% de chances de nova redução de 0,25 pp em março.

"É muito difícil haver uma alta muito relevante de juros mais adiante, mesmo se o Federal Reserve optar por uma elevação adicional de 25bps", diz José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. 

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