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Moderadores do YouTube tiram canais de direita do ar por engano

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Os novos moderadores do YouTube, contratados para detectar vídeos falsos, enganosos e extremistas, tropeçaram em um de seus primeiros testes importantes ao removerem por equívoco alguns vídeos e canais em meio a um debate nacional a respeito do controle de armas nos EUA.

A divisão do Google informou em dezembro que encarregaria mais de 10.000 pessoas de moderarem conteúdo após um ano de escândalos relacionados a conteúdos falsos e inapropriados no maior website de vídeos do mundo.

Após o tiroteio em uma escola de Parkland, na Flórida, em 14 de fevereiro, alguns moderadores do YouTube removeram por engano diversos vídeos e alguns canais de produtores de vídeos e organizações de direita pró-armamento.

Recentemente alguns canais do YouTube reclamaram que suas contas foram completamente tiradas do ar. Na quarta-feira, o website Outline deu destaque às contas que foram banidas do site de vídeos, entre elas uma chamada Titus Frost. Os responsáveis pela conta Frost tuitaram na quarta-feira que um sobrevivente do tiroteio, David Hogg, é um ator. Jerome Corsi, do website de conspirações de direita Infowars, disse na terça-feira que o YouTube havia tirado um de seus vídeos do ar e desabilitado suas transmissões ao vivo.

A desativação de canais inteiros teria marcado uma abrangente mudança de política para o YouTube, que normalmente remove canais apenas em circunstâncias extremas e concentra a maioria das ações em vídeos específicos. Mas o YouTube informou que certos conteúdos foram retirados por engano. O website não informou casos específicos, e não está claro se buscava tomar medidas contra as contas Frost e de Corsi.

"Em nesse momento em que trabalhamos para contratar rapidamente e ampliar nossas equipes para a aplicação de políticas ao longo de 2018, os membros mais novos podem aplicar incorretamente algumas de nossas políticas, o que resulta em remoções equivocadas", escreveu uma porta-voz do YouTube por e-mail. "Continuamos aplicando nossas políticas existentes relativas a conteúdos nocivos e perigosos, elas não mudaram. Recolocaremos no ar todos os vídeos removidos por engano."

O tropeço puxa ainda mais o YouTube, o Google e a empresa controladora de ambos, a Alphabet, para as tóxicas disputas políticas relacionadas ao controle de armas e a conteúdos falsos e extremistas nos EUA e para a discussão a respeito da responsabilidade das empresas da internet por publicações de terceiros em seus serviços. O episódio mostra também o desafio do gigantesco website de vídeos para policiar o serviço e a dificuldade de detectar conteúdo problemático e decidir se o material deve ser tirado do ar.

Os pedidos de reforma da política de armas nos EUA desde o tiroteio geraram uma onda de teorias conspiratórias na internet a respeito dos ativistas estudantis. O YouTube foi criticado na semana passada por promover um video com um título que sugeria que Hogg, o adolescente sobrevivente do tiroteio na escola da Flórida, era um ator remunerado. O vídeo continha imagens de uma fonte de notícias autorizada, o que levou o sistema de verificação baseado em software do YouTube a classificá-lo incorretamente. Depois que o YouTube foi avisado a respeito, o vídeo foi tirado do ar.

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