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Brexit sem acordo pode gerar crise de alimentos no Reino Unido

Sam Chambers

(Bloomberg) -- O Brexit provocaria uma escassez de alimentos sem precedentes se o Reino Unido abandonar a União Europeia sem um acordo, disse o CEO da segunda maior rede de supermercados do país.

"O impacto de fechar as fronteiras para a livre circulação de alimentos durante alguns dias provocaria uma crise alimentar sem precedentes", disse o CEO da J Sainsbury, Mike Coupe, em entrevista. "É inconcebível para mim que não se encontre uma solução."

As tensões entre Londres e Bruxelas estão à flor da pele e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse na quarta-feira que ninguém em sua posição poderia aceitar o esboço do tratado do Brexit publicado pela UE. May está buscando conseguir que a UE aceite um período de transição em uma cúpula de líderes que será realizada no fim deste mês, mas Michel Barnier, o principal negociador do Brexit da UE, alertou na quinta-feira que qualquer acordo desse tipo poderia ser desfeito antes da saída do Reino Unido, programada para março de 2019.

Quase metade dos alimentos consumidos no Reino Unido é importada. As barreiras comerciais seriam especialmente prejudiciais para os varejistas de produtos frescos do Reino Unido, que dependem fortemente da livre circulação de bens perecíveis por toda a UE. Em 2016, o Reino Unido importou 22,4 bilhões de libras (US$ 30,8 bilhões) de carne, peixe, produtos lácteos, frutas e vegetais, de acordo com o Departamento de Assuntos Ambientais, Alimentares e Rurais.

Tomates espanhóis

Autoridades de Dover, o porto mais movimentado do país, estimam que dois minutos adicionais para liberar caminhões na alfândega provocariam engarrafamentos de 27 quilômetros. O presidente da UE, Donald Tusk, alertou na quinta-feira que um comércio sem fricções com o Reino Unido seria impossível se o país sair da união aduaneira.

"Atualmente carregamos tomates no sul da Espanha, os caminhões viajam 24 horas e chegam diretamente em nossos centros de distribuição sem nenhum problema", disse Coupe, cuja empresa só é superada pela Tesco em vendas de alimentos no Reino Unido. "Qualquer coisa que colocar uma barreira nesse fluxo aumentará o custo e reduzirá o frescor."

O governo do Reino Unido pretende abandonar o mercado comum e a união aduaneira da UE para poder assumir o controle de suas próprias leis, reduzir a imigração e ter a liberdade de assinar novos acordos comerciais com outros países.

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