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Warburg Pincus aposta no amor dos brasileiros por cães e gatos

Christiana Sciaudone

02/03/2018 15h48

(Bloomberg) -- Quando Piero Minardi era criança e um cachorro da família morria, o corpo era jogado no lixo. Era normal na época, mas pouca gente faria isso no Brasil hoje em dia.

A transição para uma cultura mais amorosa com os animais domésticos convenceu Minardi e a firma de private equity Warburg Pincus, que administra US$ 44 bilhões, a investir na rede Petz, que vende tudo o que se pode imaginar para cães e gatos e mais. As lojas amarelas chamam atenção e estão surgindo por todo o Brasil e tirando clientes de inúmeros pet shops pequenos.

O mercado brasileiro de produtos para animais domésticos é o segundo ou terceiro maior do mundo, dependendo de quem faz a pesquisa. Minardi, 57 anos e diretor-gerente da Warburg no País, calcula R$ 22 bilhões (o equivalente a US$ 6,7 bilhões), enquanto o mercado dos EUA movimenta US$ 30 bilhões. "Tem sido uma tendência global cuidar melhor dos animais", disse Minardi. "É a humanização deles."

O dinheiro acompanha a demanda aquecida por produtos para os bichinhos. O último exemplo foi a decisão da General Mills de comprar a Blue Buffalo Pet Products, em 23 de fevereiro nos EUA, por cerca de US$ 8 bilhões em dinheiro.

Pequeno investimento

Eram apenas sete lojas quando a Warburg fez o primeiro pequeno investimento, em 2013. Na época, o negócio se chamava Pet Center Marginal, segundo Minardi. Mas a Warburg estava se preparando para a consolidação do mercado. Agora são quase 70 unidades e mais 20 devem abrir em 2018. A abertura de capital (IPO) pode sair em 2020.

"Há espaço de sobra para continuar crescendo", acredita o executivo. "O mercado é muito fragmentado."

A maior concorrente da Petz é a Cobasi, que tem 62 lojas e pretende abrir outras 25 no próximo ano. O diretor de operações Ricardo Nassar, também sócio do negócio familiar, explica que não procurou investidores parceiros e que conta com o crédito bancário.

"Estamos tentando crescer organicamente, de modo sustentável", disse Nassar. "Estamos mais preocupados com nosso lucro, não só com nosso valor. Já estamos crescendo solidamente; não precisamos trazer um sócio só para aumentar nosso valor para vender a companhia depois."

A Petz também começou assim. O fundador Sérgio Zimerman abriu 27 lojas com empréstimos bancários até atingir um limite "saudável". Sozinho, o negócio não conseguiria continuar a expansão, segundo ele.

'Espaço importante'

"Percebemos que havia um espaço importante a ser ocupado no mercado e que talvez não esperasse por nós", lembra Zimerman. "Nós não queríamos só o dinheiro da Warburg, nós também queríamos profissionalizar a empresa."

Com a inauguração das lojas e outras despesas, os investimentos da Petz em 2018 devem chegar a R$ 140 milhões e este nível anual tende a se manter pelos próximos cinco anos ou até subir, segundo Zimerman. O aumento anual composto da receita se acelerou de aproximadamente 35 por cento nos últimos 10 anos para 45 por cento em 2017 e deve ficar em 40 por cento neste ano.

Minardi conta que, hoje em dia, a maioria dos brasileiros enterra seus animais quando morrem. Ele está otimista em relação à perspectiva de crescimento desse mercado.

"Evoluímos muito desde que a gente jogava os restos de arroz e feijão no quintal para eles", ele disse.

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