Bolsas

Câmbio

Eleição na Itália é sinal de alerta para o euro: Gadfly

Mark Gilbert

(Bloomberg) -- Os eleitores italianos deram um passo à direita. O Movimento Cinco Estrelas, que se opõe ao euro, e a Liga, que se opõe à imigração, tiveram um número surpreendente de votos nas eleições do fim de semana. Para quem continua comprometido com a missão de estreitar laços dentro da Europa e para quem acha que a intensificação da integração é razão para comprar euros, esses resultados impõem uma pausa para repensar.

Para os ativos financeiros italianos, é apenas um dia após o outro. Anos de governos de coalizão sempre próximos de rompimentos vacinaram os mercados locais contra grandes reações a resultados eleitorais.

O rendimento do título público com vencimento em 10 anos subiu menos de 3 pontos base e o índice FTSE MIB 30 registrava queda de 1 por cento após recuperar metade da perda inicial na segunda-feira de manhã.

Os investidores de ações e títulos italianos provavelmente estão certos em passar por cima da desordem eleitoral.

O pessoal da renda fixa sabe que o Banco Central Europeu ainda agirá como comprador de última instância dos títulos públicos da região pelo menos até setembro. Para quem aposta em ações, os problemas políticos da Itália são menos importantes do que a possível guerra comercial entre os EUA e todos os seus parceiros comerciais.

No entanto, para o euro, a ascensão do populismo na Itália coloca em xeque o entusiasmo pela moeda comum, que se firmou em maio de 2017, quando Emmanuel Macron foi eleito presidente da França, prometendo injetar sangue novo no projeto europeu.

O projeto europeu foi abalado quando a Grécia quase abandonou a moeda comum e quando o Reino Unido votou pela saída da União Europeia (embora isso deva prejudicar mais a economia britânica do que o resto do bloco).

Desde a ascensão de Macron, o risco de a Catalunha se separar da Espanha diminuiu e houve bastante avanço na reabilitação da Grécia como integrante funcional do euro. No grande palco político europeu, a votação no fim de semana que confirmou o quarto mandato da chanceler Angela Merkel na Alemanha também foi boa notícia para quem defende a integração da Europa.

O governo a ser costurado na Itália, seja qual for, dificilmente representará uma ameaça existencial para a moeda comum. No entanto, diminuiu a probabilidade de progresso em projetos amplos europeus, como a tão necessária união dos mercados de capitais, a reformulação da política agrícola e o difícil gerenciamento dos fluxos de migrantes que chegam ao bloco. A empolgação da Itália com partidos populistas deveria preocupar quem está otimista em relação ao euro.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos