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Expansão do café ganha força nas plantações de Minas Gerais

Fabiana Batista

05/03/2018 10h53

(Bloomberg) -- Durante uma inspeção em seus campos, o fazendeiro brasileiro Francisco César Di Giacomo arranca um fruto de um pé de café próximo e o abre com um canivete. Ele mostra a casca fina, sinal de que os grãos serão gordos e robustos.

Aqui no sul de Minas Gerais, o montanhoso estado no coração do cinturão do café do país, há cada vez mais evidências de que a próxima safra será enorme.

Di Giacomo, que administra duas fazendas de café arábica com área combinada de 130 hectares no município de São Gonçalo do Sapucaí, espera uma colheita de 3.200 sacas de 60 quilos cada. Seria um terço a mais do que no ano passado. Além disso, como seus cafezais são novos, com elevado potencial produtivo, ele projeta que a safra vai saltar para 5.000 sacas em 2019.

A perspectiva de uma grande colheita é compartilhada por agricultores e comerciantes durante uma pesquisa de campo que durou quatro dias e se estendeu por mais de 5.000 quilômetros em toda a região. Após anos de preços domésticos mais elevados, os agricultores bem capitalizados têm investido generosamente em suas plantações. As benéficas chuvas do verão ajudaram no desenvolvimento dos grãos e os pés de café estão verdes e exuberantes.

Safra recorde

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de grãos arábica, uma variedade bastante valorizada. Os produtores de Minas Gerais estão otimistas para a safra 2018, já que a maioria das árvores está entrando na metade de maior rendimento de um ciclo de cultivo bienal. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa do governo que elabora projeções agrícolas, informou que a produção total de café do país, que também inclui a variedade robusta, pode subir até 30 por cento neste ano, para um volume recorde.

A perspectiva de oferta mostra por que o café tem um dos piores desempenhos do Bloomberg Commodity Index nos últimos 12 meses. Os preços do arábica caíram 15 por cento nos últimos 12 meses, para US$ 1,222 por libra, na ICE Futures U.S., em Nova York.

Os hedge funds estão apostando em mais declínios. No período de uma semana terminado em 27 de fevereiro, os gestores de recursos tinham uma posição vendida líquida de 56.520 futuros e opções, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA publicados na sexta-feira. O número, que mede a diferença entre as apostas no declínio e no aumento dos preços, subiu 41 por cento desde meados de janeiro. A última vez em que os fundos estiveram em posição comprada líquida foi em agosto.

Os produtores também se preparam para preços mais baixos.

As expectativas de declínio levaram de Di Giacomo a vender todos os estoques que mantinha da última safra e também a iniciar as vendas futuras da safra 2018. Apesar de os preços fechados terem caído para R$ 460 (US$ 141) a saca, contra R$ 480 a R$ 570 que ele recebeu na temporada 2017, a margem de lucro ainda é suficientemente boa para justificar a fixação dos preços, já que seus custos variam de R$ 280 a R$ 350 por saca, disse ele.

"É impossível vender todos os anos a preços elevados", disse Di Giacomo, 54. "Isso faz parte do jogo."

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