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Quatro tendências, 9 semanas: Ações emergentes em montanha-russa

Srinivasan Sivabalan

(Bloomberg) -- Em 2000, foi a Europa. Em 2011, os EUA. E este ano pode muito bem ser a vez dos mercados emergentes.

De vez em quando, o ano chega e leva os mercados de ações para dar uma volta de montanha-russa. As tendências do mercado mudam com tanta frequência que os alvos de investimento das gerenciadoras de recursos, convincentes no início do ano, parecem desatualizados ao fim do primeiro trimestre.

Transcorridos dois meses, parece que 2018 será um ano desse tipo para as ações dos países em desenvolvimento. Houve quatro tendências distintas nas últimas nove semanas e não há indicativos em relação a qual subgrupo ou mercado nacional poderia ter desempenho superior ao de seus pares.

Alta inicial

O MSCI Emerging Markets Index registrou o melhor início de ano desde 2012. A média da razão entre preço/lucro das empresas do índice superou um múltiplo de 13 pela primeira vez em oito anos. No geral, mostrou sintonia com o que a maioria dos gestores de recursos e analistas havia previsto em 2018 para os países em desenvolvimento: um novo período de desempenho superior ao dos mercados desenvolvidos.

Eles haviam apostado que o indicador avançaria cerca de 10 por cento até o fim do ano. Esse limiar foi atingido em 26 de janeiro. Embora a projeção dos otimistas para o fim do ano ainda possa ser válida, as quedas que vieram na sequência deram a mesma credibilidade aos pessimistas. Eles alegaram que o rali que começou em janeiro de 2016 foi longe demais e pode perder força. Citaram a possibilidade de o Federal Reserve elevar as taxas de juros mais rapidamente que o previsto e a força associada ao dólar americano como principais motores.

Nas duas semanas a partir do fim de janeiro, os pessimistas levaram vantagem. Tanto que o índice dos mercados emergentes eliminou todos os ganhos do ano. Os traders de opções sucumbiram à pressão, e a volatilidade esperada para as ações dobrou.

Apesar de a oscilação ter sido bastante antecipada -- até mesmo bem recebida -- pelos otimistas, o fator preocupante foi que aqueles com melhor desempenho na primeira fase acabaram sendo os piores na segunda.

As ações chinesas listadas em Hong Kong haviam liderado o rali inicial do ano, mas representaram o maior peso durante a queda. As oscilações para um lado e para o outro da Tencent Holdings e da Alibaba Group basicamente resumiram o dilema dos investidores. As ações asiáticas agora têm desempenho inferior às da região EMEA e às da América Latina e são o único grupo que caiu no acumulado do ano. Na China, as ações sofreram um baque devido à preocupação em relação ao aperto das condições financeiras, à guerra comercial iminente com os EUA e à desaceleração da economia. Na Índia, foi a decepção com os bancos estatais, que estão sobrecarregados por empréstimos inadimplentes e por um escândalo de US$ 2 bilhões que está sacudindo o Parlamento. Enquanto isso, as ações da Rússia, da África do Sul e da Turquia estão em alta. Os investidores normalmente migram para esses mercados quando a turbulência política dá uma trégua, muitas vezes autoimposta pelos governos, e fogem ao primeiro sinal de problemas. A volatilidade extra deste ano serviu apenas para deixá-los ainda mais imprevisíveis. A América Latina deixou todos para trás até o momento. Mas, entre as eleições iminentes e os tweets de Donald Trump, é bem provável que os próximos meses sejam bem diferentes para mercados como Brasil e México.

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