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UE quer examinar investimentos estrangeiros para conter China

Jonathan Stearns

05/03/2018 14h16

(Bloomberg) -- A União Europeia pode intensificar um plano de análise de investimentos estrangeiros em um momento em que a busca chinesa de aquisições no exterior está gerando inquietação política no bloco, segundo um importante legislador da UE.

Franck Proust, membro francês do Parlamento Europeu, disse que essa assembleia e os governos da UE poderiam chegar a um acordo até o fim do ano em relação à primeira norma do bloco para impedir que investimentos estrangeiros diretos ameacem a segurança nacional.

Proust encabeça as deliberações do Parlamento da UE sobre una lei de análise de investimentos proposta em setembro pela Comissão Europeia, o braço regulador do bloco de 28 países. A lei projetada precisa de mais força para garantir que a Europa não perca o controle sobre setores estratégicos, disse ele.

"[A lei] é tímida", disse Proust, membro dos democratas-cristãos, o maior grupo do Parlamento da UE, em entrevista em 1 de março em seu gabinete, em um 13° andar em Bruxelas. "Queremos ser mais ambiciosos e agilizar o processo de aprovação."

Tecnologias de ponta

Há cada vez mais preocupação no Ocidente com os riscos à segurança nacional ligados a investimentos estrangeiros, em particular da China. No ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, impediu que um investidor com financiamento chinês comprasse a Lattice Semiconductor devido a receios ligados à segurança nacional, e a Alemanha interveio para proteger tecnologias de ponta depois que uma oferta da chinesa Midea Group pela fabricante de robôs Kuka provocou comoção.

Na Europa, as dúvidas sobre as intenções das políticas de Pequim são agravadas pela polêmica iniciativa "Um cinturão, uma estrada", que pretende atualizar a infraestrutura internacional, pelo plano Made in China 2025, para fomentar a capacidade industrial, e pela paralisação das negociações de um acordo de investimento para reduzir obstáculos do mercado chinês para as empresas com sede na UE.

Em meio ao impasse, as aquisições chinesas na Europa se mantiveram fortes - a última transação de alto nível foi a compra de quase 10 por cento da Daimler pelo bilionário Li Shufu -, mas os investimentos europeus na China caíram.

"Os chineses deixaram de avançar de forma dissimulada, eles estão avançando abertamente", disse Proust. "Há setores estratégicos em que eles querem ser os donos do mundo até 2025. Sabemos disso."

'Fim da ingenuidade'

O projeto de lei europeu não daria à UE um poder de decisão sobre investimentos estrangeiros tão grande quanto o da Casa Branca, o que reflete a sensibilidade política europeia em relação à violação da soberania nacional. Em vez disso, a proposta da Comissão prevê uma combinação entre compilação de dados, troca de informações e pressões dos pares para criar um "mecanismo de cooperação" europeu nessa área.

Os governos nacionais da UE, que antes estavam tão divididos em relação aos méritos de uma legislação europeia para analisar investimentos estrangeiros que a Comissão nem sequer fazia uma proposta, apoiam cada vez mais a iniciativa, disse Proust.

"É o fim da ingenuidade europeia", disse ele. "Temos que ter a coragem de mudar as coisas."

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