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Encontro em hotel romântico termina em aquisição de US$ 15,3 bi

Fabio Benedetti-Valentini, Sonali Basak, Aaron Kirchfeld e Manuel Baigorri

06/03/2018 10h36

(Bloomberg) -- A Axa vinha tentando conquistar a maior aquisição de sua história, e as coisas ficaram sérias em um hotel romântico às margens do Lago de Zurique.

Foi lá que diretores da gigante francesa e da XL Group, recém-saídos da reunião anual da elite mundial no resort de esqui de Davos, se encontraram no final de janeiro para conversar sobre um acordo. As negociações foram frutíferas, desencadearam uma série de telefonemas transatlânticos diários - que depois passaram a acontecer quase que de hora em hora - e culminaram com a aquisição da seguradora das Bermudas, apelidada com o codinome "Lynx" nas reuniões secretas, por US$ 15,3 bilhões.

Este relato dos acontecimentos que levaram ao acordo é o resultado de reuniões e entrevistas oficiais e extraoficiais com mais de meia dúzia de pessoas a par do assunto.

As conversas no Romantik Seehotel Sonne consolidaram a relação e a crença em uma cultura comum que Thomas Buberl, CEO de 44 anos da Axa, e Mike McGavick, da XL, notaram em uma reunião em novembro em Nova York.

"Foi um daqueles encontros estranhos em que você sente que um completava as frases do outro", disse McGavick, de 60 anos, a jornalistas na segunda-feira, descrevendo as discussões iniciais dos CEOs no escritório da Axa nos EUA. Eles se encontraram novamente em Paris poucas semanas depois para que o presidente da XL, Greg Hendrick, conhecesse Buberl.

Quando a importante reunião na Suíça aconteceu, as conversas entre as duas empresas fluíam "de um lado para o outro, de um lado para o outro", nas palavras de McGavick. Mas isso não significa que não houve obstáculos no caminho: a Axa, codinome "Sapphire", precisou desbancar a rival alemã Allianz, de maior porte, e outros pretendentes, alguns dos quais giravam em torno da XL há pelo menos seis meses, atraídos por sua unidade de acidentes nos EUA.

Entre os potenciais concorrentes estava a Hartford Financial Services Group, que realizou negociações informais de forma intermitente com a XL por cerca de dois anos. Um representante da Hartford não quis comentar.

Prêmio enorme

Cerca de 10 dias atrás, "decidimos colocar nossas equipes em ação, para ver se elas conseguiriam trabalhar em condições extremas e desagradáveis para organizar um acordo muito complexo", brincou McGavick no briefing de imprensa em Paris.

A Axa finalmente fechou o acordo com uma oferta de US$ 57,60 por ação, que representa um prêmio enorme de 54 por cento sobre o preço de fechamento da XL no começo de fevereiro. Durante o fim de semana, ambas as empresas entraram em um período de silêncio quando a Bloomberg informou que a Axa estava em negociações avançadas para comprar a XL. As companhias divulgaram o acordo na manhã de segunda-feira.

--Com a colaboração de Eyk Henning e Katherine Chiglinsky

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