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Parlamentares britânicos criticam empresas por dados de gênero

David Hellier e Gavin Finch

06/03/2018 13h51

(Bloomberg) -- Os políticos britânicos estão exigindo que os escritórios de advocacia e de contabilidade revisem os números sobre remuneração de funcionários homens e mulheres em meio a críticas a estruturas societárias que permitem informar uma desigualdade salarial de gênero inferior à real.

As empresas britânicas com mais de 250 funcionários têm até 4 de abril para apresentar informações às autoridades a respeito da remuneração de funcionários. Entre as que apresentaram dados até o momento, empresas de serviços profissionais como Linklaters e EY exibiram índices de desigualdade de gênero muito menores que bancos como o Barclays. Mas isso se deve, em parte, ao fato de essas empresas classificarem os associados com maiores salários como proprietários, e não como funcionários, o que permite exclui-los dos números.

"Essas empresas parecem estar cumprindo a lei ao pé da letra, mas sem respeitar seu espírito", disse Nicky Morgan, deputada do Partido Conservador, de situação, e presidente do comitê do Tesouro britânico, em declaração enviada por e-mail. "Estão aproveitando o que parece ser uma lacuna. Os associados são líderes e modelos em suas empresas. Deveriam dar o exemplo em vez de se excluírem."

A Comissão de Igualdade e Direitos Humanos (EHRC, na sigla em inglês), de operação independente do governo, tem o poder de punir os empregadores que não cumprirem os requisitos na divulgação dos dados. Dawn Butler, ministra extraoficial de Mulheres e Igualdade do Partido Trabalhista, de oposição, disse que as empresas profissionais deveriam enfrentar sanções se não reapresentarem números mais adequados ao espírito da lei.

"A distinção entre associados e outros advogados é irrelevante para esse propósito", disse Shami Chakrabarti, procuradora-geral extraoficial do Partido Trabalhista, por e-mail. "O resultado é que as pessoas estão recebendo remunerações diferentes pelo mesmo trabalho por causa do gênero."

Diferença menor

Os porta-vozes da EY e da Linklaters preferiram não comentar o assunto. Um porta-voz da Pinsent Masons não estava imediatamente disponível.

Indagada se estava preocupada com os números das empresas profissionais, a EHRC emitiu comunicado afirmando que contava com "mecanismos para identificar dados questionáveis", sem comentar especificamente os números que havia recebido.

Os escritórios de advocacia Linklaters e Pinsent Masons relataram que suas funcionárias ganham em média 23 por cento e 22 por cento menos, respectivamente, que os colegas homens. A diferença na EY é de 20 por cento. A disparidade representa menos da metade da que o Barclays apresentou referente a seu banco corporativo e de investimento, que indica que as funcionárias recebiam em média 48 por cento menos que os homens.

Jayne-Anne Gadhia, CEO da Virgin Money Holdings U.K., que conduziu uma análise do governo sobre mulheres no setor financeiro, disse à Bloomberg News que a exclusão de associados profissionais com altos salários é "um ultraje". A empresa dela registrou diferença salarial de gênero de 33 por cento e, para ela, precisa melhorar.

Este é o primeiro ano em que as empresas britânicas são obrigadas a apresentar os dados. Charles Cotton, assessor para políticas de remuneração do Chartered Institute for Personnel and Development, disse que as empresas provavelmente serão obrigadas futuramente a informar dados sobre idade e etnia de seus funcionários.

--Com a colaboração de Suzi Ring

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