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Procuram-se britânicos para construir Reino Unido após Brexit

Sharon Smyth

(Bloomberg) -- O setor de construção do Reino Unido está torcendo para que os jovens britânicos passem a se interessar pelo ofício da construção.

O fluxo de imigrantes, que representam quase um quinto dos trabalhadores no setor de construção imobiliária, está diminuindo diante da iminência do Brexit, o que faz com que os salários subam e cria uma dor de cabeça para as empresas de construção - e também para o governo. Além disso, não há muitos sinais de que os trabalhadores britânicos estejam ávidos para preencher essa lacuna.

"Os jovens ingleses simplesmente não veem esse ofício como uma opção profissional", disse Jackson Clark, mestre de obras de 28 anos, de Londres.

A escassez de mão de obra poderia impedir que o governo cumpra a promessa de aumentar o número de casas construídas anualmente para 300.000 a fim de resolver uma crise habitacional que afeta principalmente Londres e a região sudeste.

Na capital, cerca de metade dos trabalhadores da construção veio de outros países da União Europeia. Clark diz ter trabalhado em projetos em que 70 por cento dos funcionários não eram cidadãos do Reino Unido e afirma que a migração tem sido boa para o setor.

Talvez não dure muito mais. A migração líquida vinda de outros países da UE caiu para menos da metade desde o referendo do Brexit, em 2016. A saída do Reino Unido do bloco deve acelerar esse processo, à medida que entrarem em vigor leis que tornarão o Reino Unido menos acessível aos trabalhadores estrangeiros.

O declínio foi particularmente grave entre os cidadãos dos oito países da Europa Oriental que aderiram à UE em 2004. No período de 12 meses finalizado em setembro, chegaram 12.000, em comparação com níveis máximos de cerca de 50.000. Este grupo, juntamente com os trabalhadores da Romênia e da Bulgária, responde pelo maior porcentual de funcionários da construção civil que não são britânicos.

Então, o que deve ser feito? Nigel Hugill, CEO de uma incorporadora com sede em Londres que projeta construir mais de 29.000 casas, diz que espera que programas de treinamento consigam levar mais jovens britânicos para o setor. No entanto, ele não está cantando vitória.

É preciso "certo convencimento no caso dos jovens", disse o CEO da Urban & Civic em entrevista. "O país simplesmente não pode se dar ao luxo de que nosso setor decepcione."

As companhias construtoras do Reino Unido, como Barratt Developments e Crest Nicholson Holdings, oferecem cerca de 21.000 estágios por ano. Isso não será suficiente para atender à demanda por novos imóveis. O setor da construção deverá crescer 1,3 por cento ao ano até 2022 e precisará de 35.000 trabalhadores adicionais a cada ano, de acordo com a Federação Nacional de Construtores.

"Se a construção de mais casas tem tanta prioridade para o governo, precisamos continuar tendo acesso no futuro a trabalhadores qualificados da UE", disse Chris Turner, porta-voz da Federação de Construtores de Moradia. "Ainda não temos nenhum indicativo sobre o que o governo fará em relação à migração."

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