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Boom de comércio global estimula demanda por petróleo

Alaric Nightingale e Grant Smith

07/03/2018 14h44

(Bloomberg) -- Para encontrar pistas sobre a aceleração da demanda pelo petróleo, olhe para o mar e para o céu.

A força do consumo de petróleo surpreendeu os analistas no ano passado e desempenhou um papel importante na recuperação do petróleo bruto, que em janeiro atingiu o preço mais alto em três anos. Neste ano, a demanda poderia até acabar "superando amplamente" os patamares exuberantes de 2017, projeta Khalid al-Falih, ministro da Energia da Arábia Saudita, que costuma ser cauteloso. Dados de setores como aviação, transporte marítimo e transporte rodoviário sugerem que ele poderia estar certo.

O crescimento da demanda por petróleo não era tão forte há décadas: até mesmo as estimativas mais sombrias de três pesos-pesados da análise global - a Agência Internacional de Energia em Paris, a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - mostram que o consumo está crescendo no mínimo 1,4 milhão de barris por dia a cada ano entre 2015 e 2018. Durante parte desse período, a Opep e os estados produtores aliados reduziram a oferta de petróleo bruto a fim de acabar com uma abundância global.

"Sem dúvida, o mercado avançou muito para se reequilibrar", disse Bassam Fattouh, diretor do Oxford Institute for Energy Studies. "A Opep e outros países receberam muito crédito por isso, mas a demanda mais forte que o esperado representou uma contribuição fundamental."

Estes são alguns dados adicionais que apoiam a ideia de que 2018 será um ano mais forte para a demanda por petróleo do que alguns imaginam:

Fabricação

O setor fabril apresenta a maior força em oito anos, segundo o JPMorgan Global Purchasing Managers Index. Ao mesmo tempo, no ano passado a produção industrial da China cresceu ao ritmo mais veloz desde 2014, mostram estimativas de economistas compiladas pela Bloomberg.

China

Essa atividade econômica toda está enriquecendo os cidadãos chineses e fomentando viagens. O trânsito de passageiros das empresas aéreas do país disparou 15 por cento em 2017, a taxa mais rápida de crescimento anual desde 2009. O consumo de combustível pelas empresas aéreas comerciais em todo o mundo aumentará 5 por cento e atingirá o patamar mais alto da história, segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos. Essa organização também estima que o frete aéreo tenha registrado seu maior crescimento em sete anos em 2017 e que o crescimento das cargas continuará superando a tendência em 2018.

"As projeções oficiais da AIE e da EIA são excessivamente otimistas em relação ao fim da demanda por petróleo", disse Robert McNally, fundador da consultoria Rapidan Energy Group e ex-assessor da Casa Branca durante a presidência de George W. Bush. A demanda cada vez maior e atrasos ou cancelamentos de projetos de exploração e produção de petróleo "se combinarão para levar os preços do petróleo bruto a uma nova fase de boom no começo da próxima década."


--Com a colaboração de Brian Wingfield e Fred Pals

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