Bolsas

Câmbio

Cresce mistério sobre petroleira chinesa que surgiu do nada

Alfred Cang

(Bloomberg) -- A rápida ascensão da CEFC China Energy foi envolta em mistério e a turbulência que atingiu a empresa na semana passada não é diferente.

Apenas seis meses atrás a CEFC se autoproclamava a maior empresa privada de petróleo e gás da China, com 50.000 funcionários e mais de US$ 40 bilhões em receita. Foi quando fechou a compra de uma participação de US$ 9 bilhões na gigante estatal de energia russa Rosneft após uma série de acordos em outras partes -- uma onda de aquisições que gerou especulações sobre como a empresa, antes desconhecida, ganhou notoriedade tão rapidamente no cenário internacional.

Agora a empresa está sendo atingida por uma onda de más notícias. O presidente do conselho, Ye Jianming, estaria sendo investigado pelas autoridades, a empresa teria sido assumida por um braço do governo de Xangai e seus títulos de dívida registraram declínios recorde. Tudo isso levantou dúvidas a respeito da situação do acordo com a Rosneft, que ainda não foi fechado. Além disso, a CEFC não teria honrado o pagamento de US$ 63 milhões por uma joint venture de trading de petróleo.

"A ascensão da empresa foi surpreendente e difícil de entender", disse Li Li, diretora de pesquisa da firma de pesquisa de commodities ICIS China. "Agora, muitos no setor questionam não só a capacidade de fechar o negócio com a Rosneft, mas também a de manter operações normais."

Um porta-voz da CEFC disse na semana passada que a empresa opera normalmente e reiterou que os relatos a respeito de uma investigação a Ye são infundados, mas a repressão do presidente da China, Xi Jinping, à expansão baseada no endividamento e o exame minucioso aos magnatas emergentes do país alimentam a especulação de que a empresa está sendo refreada. A CEFC tinha ativos espalhados pelo Oriente Médio, pela África e pela Europa, incluindo empreendimentos no setor de petróleo, um time de futebol e até uma fabricante de cerveja.

Joint venture

O conselho de uma unidade da empresa, a CEFC Anhui International, não recebeu nenhum aviso a respeito de uma aquisição pela Shanghai Guosheng Group, uma agência de portfólio e investimento controlada pelo governo municipal, informou a empresa em uma plataforma de comunicação com investidores respaldada pela Bolsa de Valores de Shenzhen.

Neste mês, a Wuchan Zhongda Group, que é controlada pelo governo da província chinesa de Zhejiang, cancelou o plano de criar uma trader de petróleo com a CEFC porque esta não efetuou um pagamento de capital registrado, segundo pessoas com conhecimento do assunto. A joint venture, na qual a CEFC teria participação de 40 por cento, tinha como objetivo o trading de petróleo, combustível e produtos petroquímicos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos