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Análise: Fundos de pensão pecam em igualdade de gênero

Mark Gilbert

07/03/2018 14h09

(Bloomberg) -- Os investidores estão usando cada vez mais critérios ambientais, sociais e de governança para decidir onde alocar dinheiro. O avanço é bem-vindo. Mas quando se trata de promover a igualdade de gênero na liderança corporativa, o setor de gestão de recursos deixa a desejar.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum de Instituições Monetárias e Financeiras Oficiais (OMFIF, na sigla em inglês), um think tank com sede em Londres, mostra o tamanho do problema. O centro de estudos calcula um Índice de Equilíbrio de Gênero baseado na proporção de homens e mulheres em cargos seniores, ponderado pelos ativos sob gestão de fundos de pensão europeus e fundos de investimento soberano internacionais e pelo produto interno bruto para bancos centrais.

A boa notícia é que os fundos de pensão públicos europeus se saem melhor do que os bancos centrais e fundos soberanos de investimento internacionais em termos de equilíbrio de gênero. A má notícia é que a pontuação deles, de 40 por cento, continua muito abaixo da marca de 100 por cento que sinalizaria igualdade.

A análise dos dados revela um amplo desequilíbrio entre administradores de fundos de pensões de diferentes países.

No início do ano, a Islândia se tornou o primeiro país a proibir as empresas de pagar mais aos homens do que às mulheres como parte da iniciativa do país de eliminar as disparidades salariais de gênero até 2022. Antes disso, o país já havia tornado obrigatória uma presença feminina de pelo menos 40 por cento nos conselhos das empresas com mais que 50 funcionários. Medidas governamentais podem ser poderosas no sentido de forçar uma reforma da sociedade.

Os desequilíbrios de gênero têm um impacto econômico real. Como observa o relatório do OMFIF, as mulheres têm um tratamento injusto em relação ao direito à pensão, que faz eco das diferenças salariais de gênero que são comuns durante suas vidas profissionais.

Há alguns sinais de que lentamente o setor está tentando se adaptar. A Girls Who Invest é uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é ver 30 por cento do capital de investimentos do mundo administrado por mulheres até 2030. Nesta semana, o grupo anunciou um acordo de patrocínio com a Pacific Investment Management Co., a gestora de fundos de renda fixa de propriedade da Allianz. A Pimco oferecerá estágios a alguns integrantes do grupo e também colaborará com os programas de ensino da organização.

Como mostram os dados do OMFIF, os fundos de pensão têm um longo caminho a percorrer para atingir a igualdade de gênero. Mas se quiser levar a sério suas responsabilidades em relação à igualdade salarial de gênero -- e se quiser ser levado a sério ao defender esses mesmos padrões para as empresas nas quais investe --, o setor de gestão de recursos precisa colocar a própria casa em ordem.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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