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UBS alerta para `guerra comercial' e Austrália não vê vencedores

Jasmine Ng, Jason Scott e Rishaad Salamat

07/03/2018 11h51

(Bloomberg) -- -- As matérias-primas estão sob grande risco com os preparativos da Casa Branca de Donald Trump para iniciar a aplicação de tarifas. O UBS Group alertou que os preços serão afetados, dos metais à energia, se as taxas dos EUA provocarem uma guerra comercial global. A Austrália, potência das commodities, prevê uma corrida nociva para o fundo do poço.

"Se houver uma grande guerra comercial as commodities industriais obviamente serão afetadas negativamente", disse Dominic Schnider, chefe de commodities e câmbio na região Ásia-Pacífico da unidade de gerenciamento de riqueza do banco, à Bloomberg Television nesta quarta-feira. "A situação ainda está boa para o ouro", acrescentou.

Os riscos de uma escalada global aumentaram nesta semana porque o presidente manteve o plano para as tarifas, o que provocou a saída de seu principal conselheiro econômico, Gary Cohn. A União Europeia prometeu responder à aplicação de tarifas ao aço e ao alumínio. Em separado, o governo Trump estuda impor tarifas adicionais aos produtos chineses para punir Pequim pelo suposto roubo de propriedade intelectual, segundo pessoas a par do assunto.

"É possível que não vejamos a aceleração no crescimento global para 4,1 por cento que esperamos neste ano", disse Schnider. "A desaceleração será ruim. O que realmente amplia os retornos das commodities no lado industrial é o impulso ao crescimento."

Os preços das commodities industriais recuaram devido à reação dos investidores à saída de Cohn. O cobre chegou a cair 0,7 por cento na Bolsa de Metais de Londres, para US$ 6.953 por tonelada, e o níquel, o alumínio e o zinco também tiveram declínio. O Brent caiu e os futuros do minério de ferro recuaram na Ásia, enquanto o ouro registrou ganhos recentes.

Há um coro de advertências em relação às possíveis consequências da aplicação de tarifas pelos EUA. O Fundo Monetário Internacional, por exemplo, afirma que possíveis restrições às importações "provavelmente causarão danos não apenas fora dos EUA, mas também à economia dos EUA". A Austrália -- maior exportadora de minério de ferro do mundo, com profundos laços comerciais com a China, a principal consumidora de commodities -- opinou a respeito nesta quarta-feira.

'História nos ensina'

"A história nos ensina que não há vencedores em uma guerra comercial", disse o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, em uma cúpula de negócios em Sidney. "Uma guerra comercial é uma corrida rumo ao fundo do poço que nos torna mais pobres e deixa nossos cidadãos com menos alternativas e oportunidades."

Trump, por sua vez, comemora a perspectiva de conflito comercial. "Quando estamos atrás de todos os países, as guerras comerciais não são tão ruins", disse Trump em entrevista coletiva na terça-feira. "A guerra comercial é ruim para eles, não para nós." Na semana passada, o presidente dos EUA disse que batalhas do tipo são "fáceis de vencer".

A decisão de Cohn "abre caminho para uma nova onda de incertezas", disse Michael O'Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading Institutional Services. "A probabilidade de que haja uma guerra comercial acaba de aumentar fortemente."

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