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Amazon não é única a tentar mudar coberturas de saúde nos EUA

Zachary Tracer

08/03/2018 14h16

(Bloomberg) -- A Amazon.com afirma que quer mudar a cobertura de saúde de seus trabalhadores nos EUA. Mas sua maior rival agiu primeiro.

O Walmart, maior empregador privado dos EUA, vem adquirindo coberturas de saúde para seus funcionários diretamente dos prestadores em seis regiões diferentes -- driblando as seguradoras, que normalmente negociam com médicos e hospitais. A empresa de varejo tenta, assim, descobrir se seu formidável poder de compra é suficiente para tirar os intermediários do caminho e diminuir os custos, a exemplo da redução nos preços que conseguiu para os consumidores com sua grande capacidade de barganha.

"Queríamos ver o que era mais eficaz -- o que funciona e o que não funciona", disse Lisa Woods, diretora sênior de saúde da empresa nos EUA. "Se não pudermos gerar impacto e influenciar o custo ou o aumento das tendências de custos, precisaremos mudar ou fazer algo diferente."

As empresas são as maiores provedoras de planos de saúde dos EUA, garantindo cobertura a mais de 150 milhões de pessoas. Apesar de os prêmios terem aumentado 55 por cento na última década, segundo a Kaiser Family Foundation, a maioria das empresas não fez maiores ajustes a seus planos de saúde que pedir aos funcionários que paguem contribuições mais altas e custos do próprio bolso.

Mas os protestos pelo aumento dos custos estão ganhando corpo. O presidente dos EUA, Donald Trump, denunciou os preços elevados dos medicamentos e seu governo colocou os intermediários, criticados pela falta de transparência, na mira. Nesta semana, o comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), Scott Gottlieb, chamou a atenção dos planos que oferecem coberturas para medicamentos pelo "esquema de pagamentos manipulado".

Reformulação do setor

Essa reação está contribuindo para uma rápida remodelação do negócio de cobertura de saúde. Uma série de acordos que antes seriam pouco convencionais reuniu seguradoras e gestoras de benefícios em farmácias, culminando com o anúncio, nesta quinta-feira, de aquisição da Express Scripts Holding, uma gigante do setor de cobertura de medicamentos, pela Cigna.

Para aumentar a pressão sobre as empresas de cobertura de saúde, os empregadores não estão de braços cruzados à espera de que o setor controle os custos.

Em janeiro, a Amazon anunciou uma parceria com JPMorgan Chase e Berkshire Hathaway para a criação de uma nova unidade para melhorar a cobertura de saúde de seus funcionários. Para o presidente do conselho da Berkshire, Warren Buffett, os altos custos da saúde são uma "tênia" que aflige a economia dos EUA.

Outras empresas começam a fazer experimentos mais discretos. A exemplo do Walmart, empregadores como a gigante do private-equity Blackstone Group e a fabricante de máquinas de franquear Pitney Bowes, equipamento usado para imprimir selos em cartas, testam novas formas de obter coberturas de saúde melhores a custos menores.

O Walmart vem testando seus novos planos, conhecidos como organizações de atendimento responsável, ou ACOs, há dois anos. As ACOs, que podem ser criadas pelos empregadores por conta própria ou com a ajuda de uma seguradora, limitam os consumidores a um grupo menor de provedores de saúde.

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