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Desacelerar reforma da energia no México seria `uma pena': Pemex

Adam Williams e Lucia Kassai

08/03/2018 14h20

(Bloomberg) -- A decisão tomada pelo México em 2013 de acabar com o monopólio do governo sobre a energia resultou em investimentos de bilhões de dólares e na chegada de dezenas de companhias internacionais de petróleo.

Carlos Treviño, novo CEO da Petróleos Mexicanos, acha que seria uma pena que o próximo governo acabe com isso.

O principal receio de Treviño, que assumiu o comando da Pemex em novembro, é que em julho o México eleja um presidente que "desacelere o ritmo de reforma da energia", disse ele em entrevista à Bloomberg Television no evento CERAWeek by IHS Markit em Houston.

"Alguém que não acredite na reforma da energia poderia reduzir muito o ritmo, e acho que isso seria uma pena no México", disse Treviño. "A reforma da energia traz muitos benefícios ao país, ao povo. Por isso, a pior hipótese, em minha opinião, é que a velocidade de implementação da reforma da energia seja reduzida."

A preocupação de Treviño é compartilhada por muitos líderes do setor de energia no México, que assinou mais de 90 contatos de produção de petróleo e gás com grandes petroleiras como Royal Dutch Shell, Chevron e Exxon Mobil desde um leilão histórico de petróleo bruto em 2015. O candidato favorito à presidência, Andrés Manuel López Obrador, que lidera as pesquisas de opinião antes da eleição de 1 de julho, prometeu que seu governo vai desacelerar o ritmo dos leilões de petróleo e revisará contratos assinados pelo governo atual.

Uma reversão ou uma modificação significativa da reforma seriam "quase impossíveis, porque para mudar a reforma da energia será preciso mudar a constituição", disse Treviño. Para isso, seria necessário contar com uma maioria nas câmaras alta e baixa do Congresso mexicano, e "para qualquer presidente, é muito difícil conseguir esse nível" de apoio.

Parcerias no refino

A Pemex, que reiterou que ter parcerias vai melhorar a produção de petróleo bruto e as margens de refino, formalizará um acordo de joint venture com a Mitsui & Co. em sua principal refinaria neste mês, disse Treviño. A parceria com a Mitsui é um acordo estimado em US$ 2,6 bilhões que aumentará a produção para ajudar a tornar o país menos dependente de combustíveis importados.

A Pemex também projeta assinar pelo menos mais uma parceria no refino já no terceiro trimestre, disse Treviño, sem dar mais detalhes. A empresa continua procurando parceiros para serviços auxiliares de refino em áreas como geração de eletricidade, tratamento de água e geração de vapor, disse ele.

A Pemex, que obteve direitos para desenvolver quatro áreas em águas profundas no leilão organizado pelo México em 31 de janeiro, apresentará ofertas por um bloco na licitação de 35 zonas em águas rasas em 27 de março, disse ele. A Pemex preferiria fazer lances com parcerias, mas está disposta a licitar sozinha se for necessário, disse Treviño.

--Com a colaboração de Cyntia Barrera Diaz

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