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Fundos de hedge brasileiros compram parte da bolsa argentina

Paula Sambo, Carolina Millan e Ignacio Olivera Doll

08/03/2018 15h37

(Bloomberg) -- Fundos de hedge brasileiros acumularam participação de 10 por cento na operadora da bolsa de valores da Argentina e pretendem exercer influência no negócio.

Os compradores são investidores com visão de longo prazo e seu objetivo é fazer com que a Bolsas y Mercados Argentinos tenha o mesmo sucesso da B3, de acordo com quatro pessoas com conhecimento do assunto, que pediram anonimato porque a informação tem caráter privado.

Pelo menos três fundos discutiram com a BYMA a possibilidade de nomear um diretor, embora ainda não tenha sido apresentada uma proposta formal, de acordo com as fontes, que acrescentaram que as conversas até agora têm sido amigáveis.

Aproximadamente 20 por cento da BYMA estão nas mãos de investidores estrangeiros, sendo que metade dessa participação é de fundos brasileiros, informou o presidente da BYMA, Ernesto Allaria. Ele se recusou a dar mais detalhes sobre a estrutura societária, mas expressou interesse em trabalhar junto com os fundos brasileiros.

A aposta na operadora da bolsa se baseia na expectativa de que os mercados de capitais da Argentina darão passos largos após mais de uma década de relativo isolamento, quando o país era presidido por Cristina Fernandez de Kirchner e seu antecessor.

O preço das ações da BYMA mais que dobrou desde que os papéis passaram a ser negociados no mercado aberto, em maio. Foi então que os fundos brasileiros começaram a comprar ações, após a fusão entre o Mercado de Valores de Buenos Aires e a Bolsa de Comércio de Buenos Aires.

Os mandatos de quatro diretores terminam neste ano e a indicação de seus substitutos será discutida na assembleia geral da entidade, em 5 de abril. Cerca de oito fundos compõem a maioria da participação brasileira, de acordo com duas das fontes. A participação controlada por esses fundos de hedge está avaliada em US$ 132,2 milhões.

O volume de negócios com ações e títulos argentinos disparou desde que o presidente Mauricio Macri resolveu uma disputa de 15 anos com credores, em abril de 2016, como parte dos esforços para abrir a economia local ao capital estrangeiro e impulsionar o crescimento. A divisão Caja de Valores, da BYMA, é sua maior fonte de receita e atua como central depositária de instrumentos financeiros públicos e privados. O total de ativos sob custódia aumentou 275 por cento entre 2015 e o final de 2017, chegando a 1,8 bilhão de pesos.

Diante do sucesso da B3, a perspectiva de expansão atraiu os fundos de hedge brasileiros para a BYMA. A ação da B3 subiu 41 por cento no ano desde a fusão realizada entre a BM&F Bovespa e a Cetip. A empresa é agora a quinta maior operadora de bolsa do mundo, com valor de mercado de R$ 53,5 bilhões.

Seguindo os passos da B3, a BYMA trabalha para criar, já neste primeiro semestre de 2018, um segmento para empresas com padrões mais rígidos de governança, inspirado no Novo Mercado. Parte do potencial da BYMA está no desenvolvimento de mercados que ainda estão em estágio inicial, como derivativos, contratos futuros de índices acionários, contratos futuros de juros e opções, explicou Walter Stoeppelwerth, diretor de investimentos da Balanz Capital Valores. Mas sem um grande aumento no número de empresas listadas, o processo vai demorar.

"Comprar BYMA na esperança que se desenvolva em uma B3 menor pode ser uma boa transação, mas é preciso ter cuidado", disse Stoeppelwerth. "A meu ver, não há dúvida de que o tamanho do mercado se multiplicará e sua sofisticação aumentará, mas ainda estamos muito longe de chegar ao nível do Brasil."

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