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Grab está perto de comprar Uber no Sudeste Asiático, dizem fontes

Yoolim Lee e Eric Newcomer

08/03/2018 11h52

(Bloomberg) -- A Grab, serviço de carona compartilhada dominante no Sudeste Asiático, está perto de fechar a aquisição dos negócios da Uber Technologies na região, acordo que pode ser assinado nesta semana ou na próxima, segundo pessoas a par do assunto.

De acordo com os termos do contrato proposto, a Grab compraria a totalidade das operações da Uber em certos mercados do Sudeste Asiático e a Uber assumiria uma participação na Grab, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as conversas são privadas. A estrutura seria semelhante à do acordo fechado entre Uber e Didi Chuxing na China, em 2016, quando a empresa com sede em São Francisco vendeu sua operação local em troca de participação na Didi. Segundo um dos cenários considerados, a participação da Uber na Grab seria de 15 por cento a 20 por cento, disse uma das pessoas.

A Grab negociou em separado com apoiadores atuais como a SoftBank e novos investidores em busca de capital adicional, segundo pessoas a par das negociações. A avaliação mais recente da Grab foi de US$ 6 bilhões, segundo a CB Insights. As negociações atuais ainda podem terminar sem acordo e as condições e o cronograma podem mudar. A Grab e a Uber preferiram não comentar.

No tocante ao cofundador e CEO da Grab, Anthony Tan, a trégua encerraria uma batalha brutal pela liderança do mercado de carona compartilhada do Sudeste Asiático, de rápido crescimento. As empresas travam uma luta para controlar o maior número possível de cidades no Sudeste Asiático, onde vivem 620 milhões de pessoas.

O novo CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, busca limpar as finanças da empresa em preparação para a realização de uma oferta pública inicial no ano que vem. A saída de mercados como o Sudeste Asiático aumentaria os lucros em uma empresa que queimou US$ 10,7 bilhões desde sua fundação, há nove anos. Khosrowshahi sinalizou durante uma viagem pela Ásia, no mês passado, que está comprometido com mercados importantes como o Japão e a Índia.

"Eu dou muito crédito à Grab pelo bom funcionamento", disse Zafar Momin, professor associado da Universidade Tecnológica de Nanyang. "Eles entendem melhor o contexto local. A Uber estava basicamente replicando o que fazia em outras partes do mundo, com pouca adaptação."

A japonesa SoftBank se tornou a maior acionista da Uber em janeiro, gerando especulações de que estimularia as startups de carona compartilhada de seu portfólio a reduzirem a concorrência entre elas. A SoftBank também detém participações na chinesa Didi e na Ola, a startup indiana que disputa a liderança do mercado local com a Uber.

Em janeiro, Rajeev Misra, executivo da SoftBank que entrou no conselho da Uber, sugeriu em entrevista ao Financial Times que a Uber se concentrasse em seus principais mercados, como EUA, Europa, América Latina e Austrália. Mas Khosrowshahi recusou a ideia de a Uber abandonar a Ásia como um todo. Na primeira parada de uma viagem à região, no Japão, ele disse que redobraria os esforços para conquistar participação de mercado por meio de parcerias com empresas de táxi.

--Com a colaboração de Lulu Yilun Chen

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