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IA inquieta comitê ético do maior fundo de investimento mundial

Sveinung Sleire

08/03/2018 11h58

(Bloomberg) -- O surgimento da inteligência artificial está despertando questionamentos no órgão de vigilância ética do maior fundo de investimento do mundo.

Em particular, a ameaça representada pelos sistemas de armas guiados pela IA traz "desafios" éticos, de acordo com Johan H. Andresen, presidente do Conselho de Ética da Noruega.

"Não necessariamente se refere apenas às armas, mas a muitos outros usos", disse ele em entrevista, em Oslo. "É difícil programar empatia - não podemos exigir isso -, mas tudo o que estamos analisando está sob controle humano e seres humanos estão tomando decisões, então tanto pessoas quanto empresas podem ser responsabilizadas."

O fundo de investimento da Noruega, de US$ 1 trilhão, vem intensificando a análise de sua carteira e proibiu uma série de empresas, incluindo produtores de armas nucleares e de bombas de fragmentação, além de empresas de tabaco e carvão. A decisão de excluir uma empresa pode ser tomada diretamente pelo fundo ou após uma recomendação do conselho de ética.

Em termos de análise de empresas envolvidas com IA, o conselho pode destacar alguns casos iniciais para observação a fim de transmitir que se trata de uma área onde se vê risco ético, disse Andresen, um bilionário que também controla a empresa de investimentos Ferd AS.

Reação

O conselho se concentrou no ano passado nos direitos humanos, nas condições de trabalho e no desmantelamento de navios nas praias. Onze empresas foram listadas para a exclusão, mas apenas uma delas foi abandonada e outras quatro foram colocadas em observação, de acordo com um relatório anual divulgado na quinta-feira. O fundo decidiu excluir mais nove empresas em 2018 com base nas recomendações, elevando o total para 73.

Andresen disse que o envolvimento com empresas maiores está se tornando cada vez mais difícil.

"As grandes empresas têm mais recursos e os utilizam", disse Andresen. "Algumas têm um diálogo construtivo, mas outras tentam ocultar e até mesmo envolver advogados. Por isso, o processo de chegar a uma decisão se torna mais exigente e demorado."

O grupo agora está considerando tomar medidas sobre a questão das condições de trabalho para trabalhadores migrantes antes da Copa do Mundo no Catar em 2022, onde as práticas de recrutamento também violam as diretrizes de direitos humanos.

"Pessoas que já estão em uma situação de vulnerabilidade são colocadas em uma situação forçada, que algumas definiram como uma escravidão moderna", disse Andresen. O conselho começou a analisar as práticas de recrutamento em 2016 e poderia apresentar uma lista de empresas a serem excluídas neste ano. Nove empresas já foram investigadas e o trabalho continuará em 2018, segundo o relatório anual.

Essas propostas irão além de "um punhado" de empresas apresentadas ao fundo para serem excluídas com base em uma diretriz climática introduzida pelo parlamento norueguês em 2016, com o objetivo de eliminar os piores emissores de gases do efeito estufa.

"De fora, pode parecer que isso leva algum tempo, mas quando se começa a publicar recomendações, elas têm um peso", disse Andresen. Os piores emissores são as produtoras de energia, aço e cimento, e o comitê também considera incluir companhias de transporte marítimo dentro do mesmo critério, disse ele.

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