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Investidor internacional se afasta de ETF brasileiro de sucesso

William Mathis

08/03/2018 14h02

(Bloomberg) -- Embora apresente um dos melhores desempenhos em se tratando de mercados emergentes, um ETF que acompanha ações brasileiras está pagando caro pelo sucesso.

O iShares MSCI Brazil ETF gerou retorno superior a 14 por cento neste ano, ultrapassando todos os fundos negociados em bolsa (exchange-traded funds) listados nos EUA, não alavancados e que aplicam mais de US$ 100 milhões em nações em desenvolvimento. Ainda assim, em 2018, só entraram nele US$ 41,3 milhões ? infinitamente menos do que os US$ 646 milhões apurados no mesmo período de 2017, que foi também um ano de recorde nas entradas.

Para alguns investidores, as ações brasileiras ficaram caras demais, de acordo com Andy Wester, analista sênior de investimentos da Proficio Capital Partners, em Newton, no Estado americano de Massachusetts. Uma queda nos preços de energia e itens industriais pode proporcionar uma oportunidade mais vantajosa de entrada no fundo de US$ 8,75 bilhões, que aloca mais de 11 por cento de seus recursos em petróleo e gás.

"A performance provavelmente é justificada", disse Wester. "Mas por que alguém pagaria 18,5 vezes o lucro por ação de empresas de setores cíclicos, enquanto os títulos rendem 6 por cento?"

Uma eventual guerra comercial também pode atrapalhar. Investidores retiraram mais de US$ 97 milhões do iShares Brazil ETF somente no dia 1º de março (a maior retirada em um dia desde junho de 2015), em reação ao anúncio das taxas sobre as importações de aço e alumínio pelos EUA. Aproximadamente 12 por cento dos ativos do fundo envolvem ferro e aço.

Já os investidores locais permanecem otimistas. Entraram aproximadamente US$ 200 milhões no iShares Ibovespa Fundo de Índice nos dois primeiros meses do ano, comparado a US$ 53 milhões no mesmo período do ano passado. O quadro sugere uma possível retomada dos fluxos estrangeiros mais adiante, disse Chris Dhanraj, profissional da BlackRock responsável pela estratégia de investimento iShares para a divisão de ETF dos EUA.
"O panorama de médio prazo para o Brasil é bastante saudável", acredita Dhanraj. "Esperamos que os investidores internacionais percebam isso e voltem com os fluxos."

Condições domésticas, como queda de juros e lucros corporativos robustos, também são favoráveis, mesmo com o desenrolar do processo eleitoral e mais escândalos de corrupção vindo à tona.

"Os fundamentos serão dominantes", disse Paul Brigandi, responsável por negociação de instrumentos financeiros da Direxion Funds, que administra US$ 14 bilhões, a maior parte aplicada em produtos alavancados. "Economia e emprego estão melhorando e a política monetária proporciona acomodação. Além disso, há o suporte dado pelo interesse dos investidores em geral por mercados emergentes."

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