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IPCA pode selar queda de juro em março e animar mais alívio

Vinícius Andrade

08/03/2018 07h41

(Bloomberg) -- As chances de uma nova redução da taxa básica de juros em março foram impulsionadas pelo tom mais dovish da fala do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na última segunda-feira. Agora, o favoritismo da aposta em corte adicional pode ser corroborado por - mais uma - surpresa positiva da inflação corrente. E os detalhes do dado podem dar anzol para mercado prever novo alívio monetário até mesmo em maio.

A probabilidade implícita no mercado de juros futuros de corte adicional da taxa Selic na reunião de março do Copom atualmente está em 80%. Para um novo alívio em maio, a aposta ainda é minoritária, mas a qualidade do dado de sexta pode começar a adensar essa expectativa.

Em especial, será importante analisar se os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico continuam a mostrar enfraquecimento, diz André Duarte, economista da Truxt Investimentos. "Caso o BC julgue que estes elementos, como a inflação de serviços, seguem baixos, um novo corte de juros em maio pode ser apropriado e de forma relativamente independentemente do comportamento da inflação de alimentos", diz.

O IPCA de fevereiro será divulgado nesta sexta-feira e deve desacelerar de 2,86% para 2,82% na comparação anual, ainda abaixo do piso da meta de inflação, e acelerar de 0,29% para 0,31% na margem, de acordo com estimativa mediana de analistas consultados pela Bloomberg. O aspecto qualitativo benigno registrado no último IPCA-15 deve ser mantido, com os núcleos permanecendo bem comportados, e a deflação do grupo de alimentação novamente em destaque, segundo os analistas.

"Provavelmente, será mais um dado muito bom, que pode levar o Banco Central a repensar as suas projeções", diz Leonardo Costa, economista da Rosenberg Associados, em entrevista por telefone. "Teremos arrefecimento de alimentação e serviços rodando em nível mais baixo", diz Costa. A Rosenberg Associados projeta IPCA de 2018 a 3,7%, mas o número deverá ser revisto para baixo, de acordo com o economista.

"Se a inflação vier abaixo do esperado, isso abre a porta para outro corte de juros, particularmente diante da queda da volatilidade nos mercados, deixando algum espaço para o BC", diz Marco Oviedo, chefe de pesquisa econômica do Barclays, que projeta um número um pouco acima do consenso na comparação mensal, de 0,34%.

"O IPCA de fevereiro deve vir muito abaixo do padrão sazonal, com uma abertura de núcleos que também é muito saudável", diz Rodrigo Abreu, economista-chefe da Caixa Econômica Federal Asset. Para Abreu, caso o dado venha em linha com a expectativa, coloca ainda mais pressão na projeção do IPCA de 2018, que, via inércia, pode reforçar um viés baixista à expectativa para 2019.

A projeção mediana do mercado para inflação em 2019 passou de 4,25% para 4,24% na pesquisa Focus desta segunda-feira, após 46 semanas de estagnação. "A tendência é recuar mais, pois as revisões baixistas para a inflação de 2018 acarretam menor inércia para 2019", diz Sergio Goldenstein, sócio da Flag Asset e ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do BC.

O call predominante, tanto dos analistas quanto do mercado de juros futuros, já migrou para outro corte de 0,25 ponto percentual em março. "A barreira para mercado rever essa aposta é mais alta. Tem que ser IPCA decepcionante. E bastante decepcionante", diz Rodrigo Borges, chefe de renda fixa na Franklin Templeton Investments Brasil.

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