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Anúncio de tarifas mostra grau de desorganização da Casa Branca

Justin Sink e Jennifer Jacobs

09/03/2018 14h43

(Bloomberg) -- A decisão do presidente americano Donald Trump de impor tarifas sobre a importação de aço e alumínio ocorreu em um grau de desordem e disfunção notável até para um governo acostumado ao caos diário.

Desde a campanha eleitoral, Trump defende tarifas contra países que ele considera concorrentes desleais. Mas o cumprimento dessa promessa foi súbito. Na semana passada, o presidente surpreendeu alguns de seus assessores mais próximos quando resolveu impor taxas de 25 por cento sobre o aço e 10 por cento sobre o alumínio.

Desde então, o governo dele tenta converter uma declaração improvisada em algo formal. Muitos dos correligionários de Trump no Partido Republicano são contra a medida.

Trump assinou na quinta-feira as ordens que implementam as tarifas. Ele isentou Canadá e México após o lobby desses seus dois vizinhos, que já estão renegociando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). As novas tarifas entram em vigor em 15 dias.

Até quinta de manhã, os comitês do Congresso com jurisdição sobre comércio internacional não haviam sido informados sobre a medida. Uma pessoa que conversou com integrantes do governo sobre o assunto disse que ninguém além do próprio Trump sabe exatamente qual é o plano dele.

O episódio custou a Trump seu principal assessor de economia, Gary Cohn, além de reforçar a percepção de que o processo decisório do presidente - que nunca foi muito organizado - está se degenerando ainda mais. O anúncio das tarifas também reforçou a impressão em Washington e Wall Street de que pouco impede que os instintos primários de Trump se transformem em política pública.

Convites de última hora

Trump informou sua decisão ao secretário de Comércio, Wilbur Ross, em 28 de fevereiro. Foram enviados convites de última hora para executivos do setor para um anúncio que aconteceria no dia seguinte. Alguns integrantes do gabinete de Trump só souberam que uma decisão era iminente quando a imprensa noticiou que o presidente tinha se decidido pelas tarifas mais agressivas que Ross havia recomendado em janeiro.

Na manhã de 1º de março, Cohn e aliados tentaram intervir, pedindo que Trump não tomasse ainda uma decisão definitiva. Oficiais da Casa Branca disseram a repórteres que nenhum anúncio estava previsto.

Ainda assim, o presidente não mudou de ideia. Trump convocou jornalistas para a reunião e anunciou que decretaria as novas tarifas "em algum momento da semana que vem". Não foi distribuído um comunicado à imprensa nem qualquer outra informação, como é praxe em anúncios feitos pela Casa Branca.

Parlamentares da situação e da oposição alardearam sua preocupação, alertando que uma guerra comercial poderia ameaçar o recente avanço da economia americana.

Na quarta-feira, mais de 100 republicanos com cargos legislativos enviaram a Trump uma carta na qual expressaram "profunda preocupação" com as tarifas, ressaltando "elementos fundamentais necessários para minimizar consequências negativas". O alerta dos correligionários mostrou até que ponto o Congresso foi excluído da decisão.

"A maneira improvisada de elaboração dessas tarifas faz com que a política governamental não atinja seu objetivo", disse o senador Chuck Schumer em discurso a colegas. "Parece que não tem ninguém em casa na Casa Branca."

--Com a colaboração de Laura Litvan Joe Deaux e Anna Edgerton

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