Bolsas

Câmbio

Campos de petróleo antigos desafiam gravidade e rendem mais

Javier Blas

(Bloomberg) -- Em seus 38 anos no setor de petróleo, Bob Dudley nunca viu nada como o que aconteceu nos campos da BP no ano passado: eles renderam mais petróleo bruto.

"Não consigo me lembrar de ter visto em algum momento de minha carreira uma taxa de declínio negativa", disse o CEO da gigante britânica do petróleo em entrevista nos bastidores da conferência de energia CERAWeek by IHS Markit em Houston.

Dudley não é o único a constatar que campos antigos estão se esgotando menos que o esperado - e, no caso da BP, crescendo inesperadamente -, e isso significa que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem mais um motivo de preocupação. Como se o boom do xisto não fosse uma dor de cabeça suficiente.

Resultados melhores em campos antigos, também observados por produtoras como a Royal Dutch Shell e por países como a Noruega, complicam ainda mais as tentativas de petroestados como a Arábia Saudita de elevar os preços reduzindo a oferta.

No setor em geral, os resultados não foram tão espetaculares quanto os da BP, mas ainda assim foram impressionantes, disseram executivos e representantes na CERAWeek. Segundo a Agência Internacional de Energia, a produção de campos de petróleo antigos caiu cerca de 5,7 por cento no ano passado, o menor recuo em dados dos últimos dez anos.

A surpresa é grande porque o setor de petróleo reduziu drasticamente os gastos durante os três anos de crise, da qual começa a se recuperar, e administrar campos em águas profundas para impedir que eles se esgotem pode custar vários bilhões de dólares. Portanto, a Opep esperava que a redução dos gastos acelerasse o declínio de poços antigos, que continuam representando mais de metade da produção mundial.

Mas é precisamente a necessidade de que cada dólar gasto renda o que leva as grandes petroleiras a extrair mais desses campos, segundo Wael Sawan, vice-presidente executivo da Shell para águas profundas. As taxas de declínio mais baixas são parte da reação aos preços baixos do petróleo.

"As empresas estão se concentrando no básico", disse Sawan em entrevista, em Houston. "Por isso, elas voltaram a se concentrar nos poços antigos. É o barril mais barato e lucrativo que as empresas podem conseguir."

Setor dividido

Contudo, o setor está dividido quanto à melhoria repentina nas taxas de declínio, e Dudley e outros executivos admitem que não podem garantir mais um ano bom em 2018. Alguns até questionam a veracidade dos dados. Outros concordam com Sawan, da Shell, em que hoje o setor tem um incentivo para trabalhar mais arduamente nos campos antigos, algo que não existia quando o barril de petróleo bruto custava mais de US$ 100.

Em países como o Brasil e o México, a desaceleração dos campos antigos de petróleo acelerou para taxas de dois dígitos no ano passado, mas essa situação também poderia mudar, porque eles estão atraindo investimentos de bilhões de dólares das grandes petroleiras para ajudá-los a desenvolver suas riquezas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos