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Estimativas exageradas ameaçam avanço das bolsas nos EUA

Lu Wang e Sarah Ponczek

09/03/2018 13h57

(Bloomberg) -- O mercado acionário dos EUA é comprador há quase uma década e os lucros das empresas do país sustentam o apetite dos investidores. Mas vale lembrar que, nos momentos de virada mais relevantes para as bolsas, as projeções de lucro dos analistas se provaram ridiculamente erradas.

O chamado bull market começava nove anos atrás. Os bancos estavam mal das pernas, a economia encolhia e as bolsas haviam amargado o pior ano em sete décadas. As previsões eram proporcionalmente sombrias. A expectativa era de queda de dois dígitos nos ganhos das empresas. Em vez disso, os lucros aumentaram.

Mais para trás, em outubro de 2007, quando as ações registravam valorização por cinco anos seguidos, os analistas previam aumento sólido nos lucros das componentes do S&P 500 no que viria ser o fatídico ano de 2008. Eles erraram por nada menos que 41 pontos percentuais.

Nem sempre as estimativas estão tão equivocadas, mas achar que são confiáveis não é seguro. É hora de discutir isso porque os cortes de impostos promovidos pelo presidente Donald Trump e a maior velocidade do crescimento global levaram os analistas a revisar suas previsões de lucros no ritmo mais acelerado que já se viu. Além disso, o panorama para os lucros foi citado como justificativa para comprar ações em queda por JPMorgan Chase e Credit Suisse Group, entre outros.

"As pessoas continuam traçando uma linha reta e sabemos que o mundo funciona em ciclos e não é necessariamente linear", disse Jerry Braakman, diretor de investimentos da First American Trust, em Santa Ana, na Califórnia, que ajuda a supervisionar aproximadamente US$ 1,3 bilhão. "As expectativas dos analistas são boas se a tendência continuar, mas se houver uma mudança significativa, o crescimento está sobrevalorizado."

Volta da volatilidade

A correção ocorrida no mês passado ? a mais expressiva em dois anos ? coincidiu com uma onda sem precedentes de melhora nas recomendações dos analistas.

Após um período morno em 2017, a volatilidade retorna com o protecionismo comercial de Trump, que em janeiro atraiu fluxo recorde de dinheiro para as bolsas americanas devido ao incentivo tributário avaliado em US$ 1,5 trilhão. Quem também está se tornando um aliado menos confiável é o banco central (Federal Reserve), que encabeçou medidas que motivaram o salto de US$ 22 trilhões no valor do mercado acionário americano desde 2009.

Essas novidades obrigam investidores a repensar por quanto tempo o mercado pode continuar comprador, de acordo com Joseph Tanious, estrategista sênior de investimentos da Bessemer Trust, em Los Angeles, que supervisiona mais de US$ 100 bilhões.

"O temor de guerra comercial, a aceleração da inflação, tudo isso aumenta a ansiedade, o que acaba levando a níveis mais altos de volatilidade", disse Tanious. "Os últimos nove anos foram impressionantes. Estatisticamente, é um ciclo muito longo. É compreensível o nervosismo dos investidores."

Este bull market está a apenas cinco meses de se tornar o mais longo da história. A previsão de consenso para o crescimento dos lucros em 2018, de 21 por cento, ultrapassaria o que foi de fato registrado em todos os anos do período, exceto um. No entanto, o histórico de acertos de Wall Street não inspira confiança. De 2007 até 2017, o crescimento efetivo do lucro por ação das componentes do S&P 500 ficou, na média, 6 pontos percentuais abaixo do esperado pelos analistas no final do ano anterior, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Ainda assim, a história mostra que os lucros importam menos para as cotações das ações quando os múltiplos das ações já estão elevados e a inflação está em alta. Ou seja, em situações como a atual.

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