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Foxconn prepara maior abertura de capital da China desde 2015

Bloomberg News

09/03/2018 12h10

(Bloomberg) -- A Hon Hai Precision Industry realizará uma oferta pública inicial de sua divisão de fabricação automatizada que pode se tornar a maior estreia na China desde o crash da bolsa de 2015.

A Foxconn Industrial Internet, uma unidade da parceira de montagem mais importante da Apple, recebeu aprovação na quinta-feira para abrir o capital em Xangai, cerca de um mês depois de ter publicado um prospecto que delineava planos para gastar 27,3 bilhões de yuans (US$ 4 bilhões) em expansões para tecnologias de ponta. Essa velocidade ressalta a expectativa em torno da empresa taiwanesa, incorporação das ambições do bilionário Terry Gou de ir além da montagem de PCs e telefones para as principais marcas de produtos eletrônicos do mundo.

Conhecida como FII, a unidade poderia chegar a ser avaliada em 400 bilhões de yuans, segundo algumas estimativas - a par da Sony. Com vendas de 355 bilhões de yuans em 2017, sua receita é quase igual à da Walt Disney ou da HP. A angariação de fundos poderia ser a 11ª maior no continente e seria uma das listagens de tecnologia de maior destaque em Shenzhen ou Xangai em anos. Há tempos o governo vem flertando com esse setor sub-representado.

"O tamanho da abertura de capital deve ser bastante próximo do que foi divulgado no prospecto", disse Amy Lin, analista da Capital Securities em Xangai. Lin estima que as ações poderiam chegar a um múltiplo de preço de 15 a 19 vezes os lucros em sua estreia.

A Foxconn, que fabrica smartphones, equipamentos de computação na nuvem e robôs, quer que os 27 bilhões de yuans financiem projetos de inteligência artificial e de tecnologias wireless de quinta geração, a fim de posicionar a Hon Hai em um lugar ainda mais central na cadeia de abastecimento de tecnologia. Representantes da Foxconn não responderam a um pedido de comentário.

A Hon Hai, negociada em Taipei, subiu 2,8 por cento nesta sexta-feira, o maior avanço desde 19 de janeiro.

Impulso de Pequim

A estreia ocorrerá em meio a um impulso para atrair capital de Taiwan, uma ilha autogovernada sobre a qual a China reivindica soberania.

Pequim introduziu planos para receber o investimento taiwanês em alguns dos setores mais limitados do país, embora a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que defende a independência, tenha alertado que tais iniciativas poderiam afastar o tão necessário capital.

A estreia da Foxconn também se encaixa com um esforço do continente para voltar a atrair listagens de tecnologia. As empresas chinesas há muito buscavam o prestígio e o capital associados às populares estreias no exterior. Mas nos últimos anos empresas de tecnologia como Alibaba Group Holding e Tencent Holdings superaram seus pares da economia antiga e se tornaram as maiores do país, e praticamente nenhuma delas é negociada internamente.

"É difícil estimar o tamanho real da abertura de capital da Foxconn, mas deve ser grande", disse Dai Ming, gerente de fundo da Hengsheng Asset Management em Xangai.

--Com a colaboração de Jeanny Yu

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