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Problema em fábrica no Brasil pressiona indústria do alumínio

Jack Farchy

(Bloomberg) -- As fabricantes de alumínio já reclamavam dos aumentos dos custos. Agora, o desligamento parcial da maior fábrica do mundo de uma importante matéria-prima ameaça colocar mais pressão sobre elas.

Na semana passada, a Alunorte, pertencente à Norsk Hydro, a maior refinaria de óxido de alumínio do mundo, declarou força maior depois que a Justiça brasileira ordenou que a empresa reduzisse a produção pela metade devido ao temor de que uma tempestade tenha causado a contaminação de um rio próximo.

"Isso tem potencial para criar um buraco na cadeia de abastecimento do alumínio", disse Anthony Everiss, consultor sênior da CRU Group. "A grande dúvida é o tempo necessário para conseguir a licença de operação permanente de volta."

Os preços do óxido de alumínio vinham caindo após dispararem no segundo semestre do ano passado, quando quase dobraram em questão de meses devido à preocupação com o fechamento de capacidade na China. Na última semana, os futuros do óxido de alumínio baseados nos preços australianos subiram 2,2 por cento, para US$ 365 a tonelada.

Everiss disse que uma remessa indiana para meados de março foi comprada no fim da semana passada por US$ 390 a tonelada, o que sugere "uma recuperação, agora, nos preços à vista do óxido de alumínio".

Mercado de terceiros

Isso significaria custos mais altos para produtores como a Rio Tinto Group, cujo CEO Jean-Sébastien Jacques disse no mês passado que houve uma "enorme" inflação dos custos do alumínio. Isso beneficiaria os principais fornecedores terceirizados de óxido de alumínio, entre eles a Alcoa -- cuja unidade de óxido de alumínio foi a que mais colaborou com os lucros da empresa no quarto trimestre -- e a Aluminum Corporation of China.

A Alunorte produziu 6,4 milhões de toneladas de óxido de alumínio no ano passado, o que a transformou na maior refinaria da commodity, que é feita a partir da bauxita e utilizada como base para a fundição do alumínio.

O total representa cerca de 5 por cento da produção mundial, mas gera um impacto excepcional, considerando que a Norsk Hydro é uma das principais fornecedoras de óxido de alumínio para o mercado de terceiros. Esse é o mercado no qual o material é comprado e vendido entre várias empresas, diferentemente de quando uma única empresa transfere o óxido de alumínio que produz para suas próprias fundições.

A Norsk Hydro representa cerca de 15 por cento do mercado de óxido de alumínio de terceiros fora da China, estima Everiss. Com a redução da produção pela metade a Alunorte deixaria de ser fornecedora líquida de óxido de alumínio ao mercado e passaria a ser compradora líquida, segundo análise do UBS Group.

A Norsk Hydro está conversando com as autoridades brasileiras para entender o que precisa ser feito para retomar a produção, disse um porta-voz na quarta-feira, depois que um tribunal local negou um pedido para religar a Alunorte.

--Com a colaboração de Jonas Cho Walsgard e Swansy Afonso

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