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Fundos de inteligência artificial têm pior desempenho mensal

Dani Burger

(Bloomberg) -- Ponto para os humanos!

Fundos de hedge que usam inteligência artificial e aprendizado de máquinas em seus processos de negociação de ativos registraram em fevereiro seu pior desempenho mensal, de acordo com um índice da Eurekahedge que acompanha o segmento desde 2011. A primeira correção do mercado acionário dos EUA em dois anos abalou estratégias que contavam com correlações entre classes de ativos que deixaram de ser confiáveis.

Os programas de computador são temidos por traders que sentem que podem ficar obsoletos. No entanto, os programas quantitativos baseados em inteligência artificial ficaram atrás de quem conta mais é com o bom senso. O índice que acompanha as estratégias de inteligência artificial caiu 7,3 por cento no mês passado, enquanto o índice amplo da Hedge Fund Research recuou apenas 2,4 por cento.

O tombo foi ainda maior do que o da categoria mais tradicional de fundos quantitativos, aqueles que negociam commodities (conhecidos pela sigla CTA ou commodity trading adviser). Essa categoria amargou perdas quase recordes porque a reversão no mercado acionário massacrou estratégias de seguimento automatizado de tendências.

É bastante discutível até que ponto os fundos quantitativos exacerbam quedas nos mercados. Alguns gestores argumentam que eles são pequenos demais para causar tanto impacto. No entanto, o JPMorgan Chase entende que o mês passado pode ter sido exceção, dado o desempenho tórrido recente.

"Achamos que os fundos de inteligência artificial, de modo semelhante aos CTAs, provavelmente tiveram papel importante na correção de fevereiro porque foram forçados a diminuir o risco diante de uma perda sem precedentes de 7,3 por cento durante o último mês", afirmou em relatório a equipe de estrategista liderada por Nikolaos Panigirtzoglou. Segundo o texto, as taxas de adesão também subiram, aumentando a concentração de investidores nas mesmas estratégias de inteligência artificial.

Estratégias elaboradas para mercados que vão somente em uma direção podem ter selado a má fase, de acordo com Nigol Koulajian, diretor de investimentos da Quest Partners, que administra US$ 1,4 bilhão.

Ele entende que os investidores ficaram complacentes depois que otimizaram modelos adequados a um mercado comprador e calmo, mas as estratégias não serviram para situações de turbulência.

Ainda assim, o índice da Eurekahedge - que acompanha cerca de 15 fundos - é somente uma representação parcial do segmento. Como inteligência artificial e aprendizado de máquinas são categorias amplas, os fundos podem empregar técnicas bastante diferentes.

Alguns usam a estatística clássica, mas conseguem analisar conjuntos mais complexos de dados. Outros, como o aprendizado profundo, separam os dados em múltiplas camadas de análise, de modo teoricamente parecido com o funcionamento do cérebro humano.

Seja como for, há evidências iniciais de que os fundos de inteligência artificial monitorados pela Eurekahedge estão, por ora, firmemente atrelados a tendências de valorização dos mercados. O JPMorgan ressalta que os fundos de inteligência artificial se tornaram mais correlacionados com CTAs, que seguem tendências. Nos últimos 12 meses, chegou a 80 por cento a correlação entre os movimentos dessas duas categorias.

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