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Regulador britânico exige nova cultura a bancos após escândalo

Franz Wild e John Glover

(Bloomberg) -- Com os bancos britânicos atolados em escândalos uma década após a crise financeira, o órgão regulador dos mercados do país iniciou um novo capítulo do debate sobre a cultura corporativa, indo além da má conduta financeira e se concentrando nas ações dos executivos bancários fora dos conselhos.

Nesta segunda-feira, a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA, na sigla em inglês) usou ensaios para propor que os executivos tenham a responsabilidade de desenvolver uma cultura baseada na ética, em vez da mentalidade de cumprir requisitos. O órgão regulador afirmou que quer "fazer perguntas provocativas, estimular a discussão, fortalecer o consenso atual e acelerar o ritmo de mudança para que ocorra uma transformação cultural do setor de serviços financeiros".

Uma década após a crise financeira, alegações de má conduta continuam rondando os bancos britânicos. A FCA investiga a tentativa do CEO do Barclays, Jes Staley, de descobrir a identidade de um denunciante. O Presidents Club, um grupo composto exclusivamente por homens da elite corporativa, foi fechado em janeiro, um dia após o Financial Times informar que recepcionistas foram "tocadas, assediadas e alvos de avanços sexuais" após receberem ordens de vestirem trajes sumários e roupas íntimas combinadas em um jantar beneficente. Além disso, políticos questionam por que quase todos os gestores seniores de uma unidade do Royal Bank of Scotland alvo de escândalo continuam em seus cargos.

"Há um reconhecimento de que a regulação - pelo menos na forma atual - tem um alcance limitado em termos de mudança de cultura", diz o relatório, que contém 28 ensaios sobre áreas preocupantes.

"Os supervisores simplesmente não seguem as regras, nem os conselhos", disse John Sutherland, consultor sênior da FCA.

Integrantes importantes de órgãos reguladores e bancos centrais, acadêmicos e executivos de finanças, incluindo o chefe de banco de investimento do UBS Group, Andrea Orcel, contribuíram com ensaios em que discutiram a importância de criar um ambiente mais seguro para que os denunciantes se façam ouvir e a necessidade de novas formas de garantir que os incentivos não gerem uma conduta antiética.

"A diversidade de pessoas, ideias e perspectivas é fundamental para a capacidade de progresso de qualquer organização", disse Orcel. "Estamos empenhados em aumentar ainda mais a diversidade e atuar de forma inclusiva."

O relatório foi leniente em relação a alguns assuntos importantes, como o fato de as mulheres receberem salários significativamente inferiores aos dos homens, segundo revelado nos últimos meses pelas novas regras de divulgação obrigatória. No caso do UBS, a equipe feminina no Reino Unido recebe em média 31 por cento menos que os homens. Em entrevista ao Sunday Telegraph, o CEO da FCA, Andrew Bailey, atribuiu aos bancos a responsabilidade de melhorar fenômenos "decepcionantes", como os baixos níveis de diversidade e a diferença salarial entre gêneros.

"Ninguém deveria ter dúvidas em relação ao tamanho do desprezo que o povo continua sentindo pelo setor de serviços financeiros, o que não é bom nem para o setor, nem para nosso país", disse Wes Streeting, deputado do Partido Trabalhista, de oposição, e membro do Comitê do Tesouro, em mensagem enviada pelo WhatsApp. "A análise da FCA deveria ser considerada uma espécie de audiência de liberdade condicional, e o Parlamento espera que o órgão regulador adote uma abordagem mais séria em relação às empresas que continuarem descumprindo os elevados padrões esperados por nossos eleitores."

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