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Taxa de transação de cartões é próximo alvo da Amazon

Spencer Soper e Jenny Surane

(Bloomberg) -- Jeff Bezos mudou a forma como os EUA fazem compras. Agora, ele pretende mudar a forma de pagar pelas coisas.

Com uma incursão pelos serviços financeiros, a Amazon.com poderia perturbar o sistema de pagamento com cartões, existente há décadas, uma iniciativa que, segundo alguns, poderia gerar para a varejista uma economia de US$ 250 milhões por ano em taxas de transações. Isso poderia ser uma má notícia para empresas como Visa e Mastercard, e também para uma série de outros atores.

A Amazon está começando a conversar com bancos para criar um produto semelhante às contas-correntes, disseram pessoas a par do assunto na semana passada. Consumidores com essa conta poderiam se conectar diretamente à Amazon e seria possível movimentar o dinheiro através da rede ACH, pertencente ao banco, por exemplo, com menos taxas. A Amazon quer que a conta atraia especialmente os jovens e quem não possui contas bancárias nem cartões de crédito, de acordo com as pessoas.

O plano, caso se concretize, dificilmente terá sucesso garantido. No entanto, poucos analistas acham que Bezos pararia por aí, porque ele vem tentando expandir o alcance da Amazon na vida econômica dos consumidores e avançaria ainda mais para coisas como financiamento de automóveis ou hipotecas.

A Amazon já possui vínculos com parte das finanças de seus clientes através dos cartões de crédito de marca própria que oferece junto com JPMorgan Chase e Synchrony Financial. E a empresa gosta de ter na mira os clientes que estão atravessando grandes mudanças de vida, para conquistar a lealdade deles. Por exemplo, a companhia oferece assinaturas Prime com desconto para estudantes universitários e serviços voltados para pais recentes. Esses dados são potencialmente valiosos para os futuros parceiros bancários, que poderiam usar essa visibilidade para oferecer empréstimos no momento certo.

"Com certeza eles entrarão nessa área se encontrarem a parceria certa", disse Tony DeSanctis, diretor sênior da consultoria financeira Cornerstone Advisors, em entrevista por telefone. "Os bancos não fazem um trabalho muito bom em termos de aproveitar os dados de gastos e dívidas a fim de criar insights. Se você parar para pensar sobre o que a Amazon poderia fazer com essa informação, mesmo com um parceiro bancário, há muitas outras oportunidades além das taxas de transação."

Apelos mais profundos no setor financeiro também poderiam ajudar a Amazon, que agora tenta vender itens de maior porte, como móveis. Itens desse tipo poderiam exigir produtos financeiros para ajudar os consumidores a realizar a compra. A empresa lançou um site de pesquisa de carro em 2016, sinalizando um potencial interesse em vender veículos.

A Amazon não quis comentar.

Vencedores e perdedores

A maior varejista on-line do mundo precisaria aderir a regulamentos bancários antigos, mas a potencial vantagem é clara. Se 15 por cento das pessoas que compram na Amazon passarem para a nova conta, a empresa poderia economizar US$ 250 milhões por ano nas chamadas taxas de intercâmbio de cartões de crédito, de acordo com as estimativas da Bain & Co.

Quem sairia perdendo são as redes de pagamento, como Visa e Mastercard, bem como os bancos que emitem cartões de crédito e os intermediários que ajudam a processar pagamentos, como First Data e Stripe. Essas empresas coletam taxas em cada transação, geralmente 2 por cento nas transações de cartão de crédito e US$ 0,24 na maioria dos cartões de débito.

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