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A tão aguardada volatilidade não ajudou fundos de hedge: Gadfly

Stephen Gandel

(Bloomberg) -- Durante anos, o refrão dos fundos de hedge e seus fãs era que eles precisavam somente de um pouco de volatilidade. Todo mundo é gênio quando o mercado vai bem. É quando o mercado piora ou fica tumultuado que os fundos de pensão e outros clientes supostamente percebem a justificativa para as taxas elevadas cobradas pelos fundos de hedge.

Neste ano, esta teoria não funcionou. Em fevereiro, o mercado acionário dos EUA se deparou com o primeiro trecho real de volatilidade em vários anos. O Cboe Volatility Index, mais conhecido como VIX, bateu nos 40 pontos após permanecer ao redor de 10 pontos durante a maior parte de 2017. Era de se esperar que os fundos de hedge nadassem de braçada.

Não foi o que aconteceu. Na média, os fundos de hedge recuaram 1,9 por cento em fevereiro, de acordo com o índice ponderado por ativos da HFR. Alguns grandes fundos entregaram desempenho bem pior. Os fundos comandados pelos legendários David Einhorn e Bill Ackman (Greenlight Capital e Pershing Square Capital Management, respectivamente) amargaram perdas de 6,2 por cento e 5,8 por cento.

Há muito tempo, os fundos de hedge pararam de oferecer proteção e começaram a afirmar que são neutros e conseguem ganhar dinheiro em qualquer conjuntura do mercado. Em vez disso, hoje cantam vitória se não caem tanto quanto o mercado. Usando essa régua mais modesta, fevereiro não foi tão decepcionante para os fundos de hedge. O S&P 500 teve baixa de 3,7 por cento e a queda dos fundos de hedge foi metade disso. Mas ter deixado de perder 1,8 ponto percentual não compensa os 15 pontos percentuais de desvantagem dos fundos de hedge em 2017 - que por sinal foi um ano alardeado como bom para esses fundos, mas não foi.

O desempenho deles em fevereiro não foi sequer suficiente para compensar a desvantagem do mês anterior. Nos dois primeiros meses do ano, os fundos de hedge acumularam ganho de 0,6 por cento, enquanto o S&P 500 avançou 1,8 por cento.

Porém, o que realmente deveria preocupar os investidores dos fundos de hedge - além das taxas enormes que desperdiçam - é que esses fundos aparentemente estão proporcionando menos proteção contra tombos do mercado.

Em janeiro de 2016, a última vez antes do período mais recente em que o mercado ficou realmente no vermelho, os fundos de hedge recuaram 1,8 por cento, enquanto o S&P 500 caiu 5 por cento. Quando as bolsas americanas desabaram mais de 6 por cento, em agosto de 2015, os fundos de hedge também perderam bem menos, ou 2,3 por cento.

No episódio mais recente, não havia onde se esconder. Todas as categorias importantes de fundos de hedge monitoradas pela HFR registraram perdas no mês passado. Em janeiro de 2016, pelo menos os fundos de hedge de estratégia macro subiram 0,7 por cento. Os fundos de hedge que se vendem como neutros também tiveram desempenho neutro. Porém, no mês passado, os fundos de hedge macro perderam 2,8 por cento (ainda mais do que a média) e os fundos neutros recuaram 0,6 por cento.

Cabe ressaltar que, neste ano, a HFR deixou de apresentar a abertura dos dados de fundos com viés vendido (que apostam contra o mercado), que provavelmente avançaram em fevereiro. Mas o motivo para a decisão da HFR ajuda a explicar porque os fundos de hedge deixaram de se mover na direção oposta do mercado. Segundo a HFR, tantos fundos com viés vendido fecharam as portas que não existe mais um número suficiente deles para gerar uma média representativa de desempenho.

Os defensores dos fundos de hedge podem argumentar que algumas semanas de volatilidade constituem um período curto demais para demonstrar as proezas dos fundos de hedge em um mercado genuinamente ruim. Tal defesa acaba justificando o que esta coluna afirma. Os fundos de hedge há muito tempo empurram taxas elevadas para os clientes com a promessa de que geram retorno não associado às flutuações do mercado, o chamado alfa. Em vez disso, os fundos de hedge se tornaram seguidores do mercado ? e nem são muito bons nisso.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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