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Bilionários da tecnologia doam a fundo filantrópico do Goldman

Tom Metcalf

14/03/2018 12h18

(Bloomberg) -- Três dos filantropos bilionários mais discretos dos EUA se revelaram como os maiores doadores do Goldman Sachs Philanthropy Fund depois que o IRS divulgou acidentalmente a identidade deles.

Um documento mostra que o ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, investiu US$ 1,9 bilhão no fundo. Fundos ligados a Laurene Powell Jobs, a viúva de Steve Jobs que tem participações significativas na Apple e na Walt Disney, doaram US$ 526 milhões. Jan Koum, que ajudou a fundar o WhatsApp e vendeu-o para o Facebook em 2014, contribuiu com US$ 114 milhões.

Duas páginas que o Internal Revenue Service (IRS) deveria ter cortado de um documento foram obtidas pela Bloomberg em janeiro depois de terem sido publicadas no GuideStar, um site que coleta dados sobre organizações sem fins lucrativos. Posteriormente, elas foram eliminadas do site.

O deslize lança luz sobre o dinheiro que flui para um dos mais proeminentes fundos assessorados por doadores (DAFs, na sigla em inglês) dos EUA, cuja popularidade está transformando o mundo da filantropia. O fundo do Goldman é a instituição de caridade de crescimento mais acelerado dos EUA, depois de ter arrecadado US$ 3,2 bilhões em 2016 - cinco vezes o patamar do ano anterior. Esses fundos concedem flexibilidade e anonimato aos ricos que não desejam divulgar suas doações de caridade e também oferecem benefícios fiscais aos clientes.

Os DAFs atraíram US$ 23 bilhões em contribuições, geraram US$ 16 bilhões em bolsas e tinham um total de ativos de caridade de US$ 85 bilhões em 2016, de acordo com um relatório publicado no ano passado pela National Philanthropic Trust.

As doações realizadas em 2016 por Ballmer, Powell Jobs e Koum - que juntos têm um patrimônio de US$ 68 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index - não haviam sido divulgadas anteriormente. Acumular US$ 2,5 bilhões em dinheiro e ativos com o DAF do Goldman permite que o dinheiro cresça lá até que eles decidam designá-lo a causas. Não está claro o que o trio fez ou planeja fazer com essa parcela de suas doações filantrópicas.

O porta-voz do Goldman Sachs Group, Andrew Williams, e Bruce Friedland, do IRS, não quiseram comentar. Representantes dos bilionários não responderam a perguntas enviadas por e-mail.

O documento não especifica quais ativos foram doados. Ele mostra que US$ 1,1 bilhão da doação de Ballmer se compõe de ações negociadas em bolsa, o que significa que poderiam ser um descarte de parte de sua participação na Microsoft, divulgada pela última vez em 2014, quando ele se aposentou. A empresa informou na época em que Ballmer detinha 4 por cento da fabricante de software, o que hoje valeria US$ 32 bilhões - se ele não tiver vendido nem doado nenhuma das ações. Peter Wootton, porta-voz da Microsoft, disse que a empresa não comenta sobre as participações de acionistas individuais.

Independentemente de como Ballmer, de 61 anos, tenha optado por financiar a doação, a contribuição para a instituição de caridade do Goldman é permanente e representa cerca de 5 por cento de sua fortuna no índice da Bloomberg, um ranking das pessoas mais ricas do mundo. A doação feita por Koum, aproximadamente 1 por cento do seu patrimônio líquido, foi inteiramente em ações. Metade da doação feita por Powell Jobs foi em ações, de acordo com o documento, e representava 2,7 por cento de seu patrimônio.

--Com a colaboração de Max Abelson Dakin Campbell e Shahien Nasiripour

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