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Mulheres comandarão Goldman algum dia? Depende do próximo CEO

Jordyn Holman e Max Abelson

14/03/2018 12h06

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs Group precisa fazer um trabalho melhor para promover mulheres aos cargos do mais alto escalão, disse recentemente David Solomon, o novo provável sucessor do CEO. Ele tem uma difícil tarefa pela frente.

"Existem avanços, mas observando o dia a dia esse avanço parece lento, porque trata-se de uma grande organização", disse Solomon à Women in Corporate Leadership Initiative em janeiro. Ele não conseguiu dar uma boa explicação quando perguntado por que as mulheres não chegaram mais alto. "Mas você sabe que isso vai mudar com o tempo. É nosso trabalho mudar isso."

Quando Solomon foi nomeado único presidente na segunda-feira, ele se tornou o favorito para suceder o CEO Lloyd Blankfein, ficando à frente de um grupo pequeno e completamente composto por homens. Harvey Schwartz, que havia sido copresidente, está de saída. Entre os possíveis concorrentes estavam o vice-presidente Pablo Salame, o chefe de finanças Marty Chávez e até mesmo o ex-diretor de operações Gary Cohn, que abandonará seu cargo de assessor econômico do presidente dos EUA, Donald Trump.

O Goldman Sachs não é o único. Nenhuma mulher dirigiu um banco importante de Wall Street. Menos de um quarto dos altos executivos e diretores nos EUA do Citigroup, do JPMorgan Chase e do Goldman em 2016 eram mulheres. Os últimos dados publicados pelo Morgan Stanley se referem a 2015, quando as mulheres representavam apenas 17,9 por cento de seus líderes.

Este mês é o décimo aniversário de 10.000 mulheres, o programa do Goldman Sachs que patrocina mulheres empreendedoras em todo o mundo. Se Solomon se tornar CEO, parte de seu trabalho será garantir que a corrida para substituí-lo não se pareça com a atual.

"Eu vi mulheres que são muito talentosas, que têm papéis importantes para a receita, que têm papéis importantes de liderança, mas simplesmente não as vi cruzar a linha de chegada", disse Ana Duarte-McCarthy, que dirigiu iniciativas de diversidade no Citigroup antes de sair da instituição, em 2016. "Não é falta de profissionais."

Só duas

Por enquanto, só há duas mulheres entre os 11 executivos do Goldman: Karen Seymour, conselheira geral, e Sarah Smith, chefe de compliance. No comitê administrativo geral, Isabelle Ealet se empenha em estabilizar um negócio de commodities que acaba de registrar seu pior ano desde que o Goldman passou a ser negociado em bolsa. Gwen Libstag, também parte deste grupo de liderança, administra os conflitos comerciais. Dina Powell, que tem experiência no governo e em filantropia, se juntará ao comitê de 31 membros quando retornar da Casa Branca de Trump neste ano.

"Apesar do progresso para aumentar o número de mulheres no Goldman Sachs, ainda resta trabalho a fazer", disse a porta-voz Leslie Shribman. "Temos várias iniciativas para aumentar o número de candidatos diversificados que chegam à instituição e para manter e promover a diversidade entre os profissionais que estão aqui, e continuaremos fazendo mais."

Charles Peabody, um analista da Compass Point Research & Trading, não acredita que o Goldman Sachs fará muitas mudanças no topo em breve. "Eles vão tentar promover mulheres em geral, mas não no mais alto escalão", disse ele.

--Com a colaboração de Dakin Campbell e Jenny Surane

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