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Shell pode perder corrida do gás com uso de recurso por rival

Perry Williams

(Bloomberg) -- Depois de passar uma década planejando a maior planta flutuante de exportação de gás do mundo, a Royal Dutch Shell pode ver sua oferta explorada primeiro por uma concorrente.

A Shell e a japonesa Inpex estão de olho no gás de um reservatório conectado na remota Bacia de Browse, a cerca de 200 quilômetros da costa noroeste da Austrália, segundo a consultoria Wood Mackenzie. Se a Inpex cumprir a data programada de início, neste mês, seu projeto Ichthys LNG terá vantagem em relação ao Prelude LNG, da Shell.

"A diferença de o Prelude começar seis meses antes ou seis meses depois do Ichthys pode ser alguns por cento de sua participação no reservatório", disse Saul Kavonic, analista da Wood Mackenzie, por e-mail. "É uma quantidade significativa."

Os dois projetos, ambos com início programado para este ano a um custo combinado de cerca de US$ 50 bilhões, estão sendo observados por grandes empresas de energia, intrigadas pelas abordagens diferentes para exploração de campos remotos. O Prelude, de 3,6 milhões de toneladas por ano, representa a maior aposta da Shell na tecnologia de GNL flutuante, que liquefaz o combustível no mar antes de embarcá-lo em navios-tanque e transportá-lo até os compradores, eliminando a necessidade de encanamentos submarinos até a costa.

Já o Ichthys é o projeto mais ambicioso e caro da Inpex, com capacidade anual de 8,9 milhões de toneladas, mais de duas vezes superior à do Prelude. A empresa planeja canalizar gás por 890 quilômetros até uma planta em terra, perto de Darwin, onde será liquefeito e exportado.

Apesar de explorarem campos separados, o Prelude e o Ichthys, os dois projetos podem compartilhar gás em um reservatório chamado Brewster, segundo relatório de 2015 da Geoscience Australia, operada pelo governo australiano. Além disso, o National Offshore Petroleum Titles Administrator (NOPTA) afirmou que os dois campos podem ir além dos limites definidos por seus blocos de exploração originais, que são adjacentes.

Mesmo com projetos separados, Shell e Inpex não são rivais no sentido mais estrito. A Inpex, que tem sede em Tóquio, adquiriu participação de 17,5 por cento no Prelude em 2012, depois de já ter tomado uma decisão final de investimento no Ichthys LNG. Um mapa publicado pela Inpex na época mostrou que os campos praticamente se tocam. As produtoras também trabalharam em uma resposta conjunta para o caso de derramamento nos projetos.

"São reservatórios conectados", disse a presidente do conselho da Shell na Austrália, Zoe Yujnovich, em entrevista à Sky News, em 20 de dezembro. "Também precisamos lembrar que este é um reservatório com horizonte de vida razoavelmente longo e que esperamos que o Prelude continue operando por décadas."

Uma porta-voz da Shell preferiu não comentar as implicações do compartilhamento de um reservatório.

--Com a colaboração de Dan Murtaugh

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