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Startup de Berlim quer encontrar o próximo Harry Potter

Stefan Nicola

14/03/2018 12h00

(Bloomberg) -- As editoras são famosas por tomar decisões questionáveis sobre livros novos -- o primeiro livro de Harry Potter, por exemplo, foi rejeitado mais de dez vezes --, por isso Ali Albazaz apresentou uma alternativa: perguntar a opinião dos leitores.

O programador de software e aspirante a escritor de 28 anos lançou em 2015 a Inkitt, que dá acesso aos usuários a obras de cerca de 60.000 escritores independentes. Isso oferece à Inkitt uma montanha de dados: se os leitores ficam acordados a noite inteira devorando uma história de vampiros, com que frequência eles deixam uma história de mistério de lado e vão para o Facebook, a quantos amigos eles recomendam um livro.

Um programa de computador filtra toda essa informação e depois apresenta recomendações de histórias com potencial de sucesso, que a Inkitt publica como e-books, livros de áudio ou livros de papel. "O processo de tomada de decisões das grandes editoras pode ser muito aleatório e elas tendem a favorecer autores consagrados", diz Albazaz. "Nós queremos descobrir a próxima J.K. Rowling, o próximo Stephen King."

Albazaz acha que pode ajudar nesse processo de descobrimento rastreando mais de 1.200 maneiras em que os leitores leem ou compartilham uma história. A Inkitt tem cerca de 300.000 usuários ativos mensais, acrescentou.

"Tudo tem a ver com os comportamentos em torno da história", disse Albazaz. "O engajamento com a leitura, o reengajamento, o compartilhamento e o comportamento dos novos leitores que chegaram por meio dos amigos."

No ano passado, a Inkitt publicou cerca de 50 livros, incluindo "Reaper's Claim", um thriller romântico da autora estreante Simone Elise. Albazaz disse que o livro chegou ao número 12 da lista de e-books mais vendidos da Amazon quando foi lançado, em fevereiro de 2017.

A startup também está trabalhando com dados no processo de publicação, testando capas, teasers e descrições a fim de escolher aqueles que dão mais certo com seus usuários. A empresa ainda não é lucrativa e busca crescer mais, afirmou Albazaz.

Embora o modelo da Inkitt seja "interessante", a startup enfrenta um sério desafio para competir com as máquinas publicitárias bem lubrificadas das principais editoras, disse Karin von Abrams, analista da EMarketer.

"Não será fácil para as obras lançadas pela Inkitt e publicadas em papel conseguirem um espaço nas mesas e prateleiras das livrarias tradicionais", disse von Abrams.

Mas há espaço para crescer. A Penguin Random House, da Bertelsmann, colocou 263 livros nas listas dos mais vendidos do "New York Times" no primeiro semestre de 2017, incluindo 37 no primeiro lugar. Seu romance mais vendido no período foi "Os 13 Porquês" (Thirteen Reasons Why), de Jay Asher, que vendeu mais de um milhão de cópias em todos os formatos -- ajudando a empresa a aumentar as vendas para 1,5 bilhão de euros (US$ 1,9 bilhão).

Apoiada por investidores como a Earlybird Venture Capital, com sede em Berlim, e a Frontline Ventures, com sede em Londres, a Inkitt pretende se expandir neste ano para livros de não-ficção e quer vender seus livros em lojas de departamento, como Walmart e Tesco.

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