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China larga na frente na corrida por matéria-prima para baterias

Mark Burton e Tom Wilson

(Bloomberg) -- A China está largando na frente na corrida global para garantir o fornecimento de matérias-primas fundamentais para as baterias que irão impulsionar os veículos elétricos do futuro.

A Glencore, a maior produtora de cobalto do mundo, aceitou vender cerca de um terço da sua produção do metal ao fornecedor chinês de produtos químicos para baterias GEM, afirmou a empresa listada em Shenzhen em um fato relevante.

O acordo de três anos vai agitar o setor automotivo em um momento em que as grandes marcas correm para garantir os estoques de matérias-primas para baterias essenciais para que possam sobreviver na próxima era dos veículos elétricos. O acordo também reforça o domínio da China na indústria de baterias e chega um dia depois de a Volkswagen assinar contratos por US$ 25 bilhões com três dos maiores produtores chineses e coreanos.

"Isto nos diz mais uma vez que é a China, e não o mundo ocidental, que entende perfeitamente a necessidade de matérias-primas e o valor da eletrificação global dos veículos", disse em uma nota Paul Gait, analista da Sanford C. Bernstein em Londres. "Eles entendem claramente isso; o Ocidente parece não ter entendido ainda."

Corrida armamentista

As maiores fabricantes de veículos do mundo estão envolvidas em uma corrida de armamentos para desenvolver a tecnologia e as redes de fornecimento necessárias para reformular suas frotas a gasolina e diesel e lançar mais carros elétricos nos próximos dez anos. Para isso, são fundamentais duas minas enormes de cobalto administradas pela Glencore na República Democrática do Congo.

A Glencore planeja dobrar sua produção nos próximos dois anos no país, que já produz cerca de 65 por cento do cobalto do mundo. A gigante das commodities tem mantido conversações com a VW, a Tesla, a Apple e com as principais fabricantes de baterias do mundo, mas o acordo com a GEM é o primeiro grande acordo de fornecimento a ser divulgado.

Pelo acordo, a GEM e suas subsidiárias garantirão 13.800 toneladas de cobalto contidas em hidróxido da Glencore neste ano. A quantidade sobe para 18.000 toneladas em 2019 e para 21.000 toneladas em 2020. Os números representam cerca de 35 por cento da produção de cobalto estimada da Glencore para este ano, 28 por cento para o próximo e 33 por cento para 2020.

Como os preços quase quadruplicaram nos últimos 24 meses, o CEO da Glencore, Ivan Glasenberg, disse que a empresa só venderia sobre uma base de preços flutuantes que permitissem obter ganhos suplementares. A GEM não divulgou os preços do acordo e um porta-voz da Glencore não quis comentar.

A GEM transforma cobalto intermediário em outros produtos químicos relacionados que são vendidos às fabricantes de baterias. A empresa extrai a maior parte de sua matéria-prima de baterias e produtos eletrônicos reciclados, de acordo com um prospecto de dívida publicado em novembro.

--Com a colaboração de Jack Farchy

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