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Órgão regulador dos EUA coloca empresas do Vale do Silício em alerta

Olivia Zaleski

15/03/2018 12h34

(Bloomberg) -- A comissão de valores mobiliários dos EUA deu um recado claro ao Vale do Silício: As startups não estão imunes a medidas regulatórias.

Na quarta-feira (14), Elizabeth Holmes, da Theranos, assinou um acordo com a SEC para encerrar acusações de fraude e aceitou perder ações, pagar uma multa e abrir mão do controle da empresa de exames de sangue na qual ela trabalhou durante quase toda a vida adulta.

Embora a Theranos seja um exemplo extremo, a SEC usou-a como oportunidade para alertar todo o setor de tecnologia, que vem se aproveitando de tantas injeções de capital com pouca supervisão governamental.

"A história da Theranos é uma lição importante para o Vale do Silício", afirmou em comunicado Jina Choi, diretora da SEC em São Francisco. "Inovadores que buscam revolucionar ou abalar um setor precisam contar aos investidores a verdade sobre o que sua tecnologia é capaz de fazer hoje, não só o que eles esperam que faça algum dia."

De olho nos 'unicórnios'

A SEC começou a dar mais atenção a startups de tecnologia há alguns anos, quando o dinheiro estava migrando para mercados privados e criando dezenas de empresas com valor superior a US$ 1 bilhão.

Mary Jo White, ex-presidente da SEC, preocupou investidores de tecnologia em um discurso na Universidade de Stanford, em 2016, quando citou a possibilidade de essas companhias, conhecidas como "unicórnios", não tomarem as precauções necessárias para proteger acionistas.

Desde o discurso dela, o Bloomberg U.S. Startups Barometer, índice que acompanha acordos entre empreendimentos de tecnologia de capital fechado, subiu 81%. Além disso, as empresas optam por permanecer com o capital fechado por mais tempo do que antigamente.

Jay Clayton, o comandante da SEC indicado pelo presidente Donald Trump, deve continuar a campanha contra má conduta das startups.

"Fala-se por aí que a SEC está olhando mais de perto e priorizando os unicórnios", disse David Larcker, professor de governança corporativa da Faculdade de Pós-Gradução em Administração de Stanford.

Com a história da Theranos, a SEC pode dizer que está de olho. É um exemplo perfeito para a agência avisar que está enxergando e que não vai permitir que ninguém escape.
David Larcker, professor de Stanford

Multas vêm se multiplicando

Investigações podem durar anos, mas esforços contra unicórnios produziram resultados nos últimos meses. Em outubro, a SEC impôs uma multa de quase US$ 1 milhão à startup de seguros Zenefits e seu cofundador, acusados de enganar investidores.

Na segunda-feira, a agência multou em US$ 160 mil a Credit Karma, outra empresa de capital fechado avaliada em mais de US$ 1 bilhão, por não revelar informações financeiras aos acionistas.

A penalidade imposta a Holmes, acusada de mentir para investidores e para a imprensa sobre a capacidade da tecnologia da Theranos e sobre a perspectiva financeira da empresa, deu um recado bem mais contundente.

Além das multas em dinheiro e ações, ela foi proibida de atuar em conselhos de administração ou em posição de diretoria em qualquer empresa por uma década. O advogado dela se recusou a comentar. Nem ela nem a companhia admitiram ter violado a lei.

A Theranos afirmou que cooperou com a investigação e que ficou "contente em encerrar essa questão". A companhia se envolveu em outros escândalos nos últimos anos, mas não foi obrigada a pagar nada no acordo estabelecido entre a SEC e Holmes, de forma que os investidores não sofreram prejuízos adicionais.

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