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Mercado global de metais pode desafiar desaceleração da China

Bloomberg News

16/03/2018 15h34

(Bloomberg) -- A música de fundo da sessão anual da legislatura nacional da China neste mês ressaltava a visão de que a economia do maior consumidor de metais do mundo vai desacelerar neste ano, porque o governo está tomando medidas enérgicas contra os riscos financeiros e parece que as tensões comerciais com os EUA vão aumentar.

Embora o primeiro-ministro Li Keqiang tenha conservado em 6,5 por cento a meta de crescimento para 2018 estipulada no ano passado, ele eliminou a aspiração de atingir um número maior. Em seu relatório de trabalho apresentado ao Congresso Nacional do Povo, ele sinalizou um apoio político reduzido, com uma meta mais baixa para o déficit fiscal. A Bloomberg Economics projeta que o crescimento vai desacelerar para 6,3 por cento em 2018, contra 6,9 por cento no ano passado.

O impacto da desaceleração econômica nos preços dos metais será moderado pela restrição da oferta, porque o governo dá continuidade à campanha para fechar a capacidade de produção envelhecida e ociosa e reduzir a poluição.

"O crescimento da demanda por metais comuns deve diminuir um pouco, mas mesmo assim o consumo aumentará", disse Tracy Liao, analista do Citigroup em Hong Kong. "A desaceleração no crescimento da demanda é menos significativa porque o lado da oferta está limitado por reduções de capacidade e normas ambientais."

Embora dados desta semana tenham mostrado que a produção industrial acelerou em janeiro e fevereiro, os gastos com infraestrutura, vendas imobiliárias e construção - indicadores-chave da demanda por metais - diminuíram, e a venda de terrenos não registrou crescimento, em comparação com a expansão de 49,4 por cento vista em 2017. A campanha do governo para reduzir os riscos da dívida na economia e o crescente protecionismo comercial somam-se à lista de forças contrárias.

Ainda assim, a China consome cerca de metade da oferta mundial de alguns metais, e até mesmo um crescimento mais lento em um mercado desse tamanho ajudará a sustentar os preços dos metais.

O ICBC Standard Bank afirma que os dados macroeconômicos da China sustentam um crescimento constante da demanda por commodities industriais neste ano, e o ajuste das políticas é melhor descrito como uma "eliminação do risco", em vez de "eliminação da alavancagem", que, até agora, não apresenta uma força contrária para o crescimento, de acordo com o analista Marcus Garvey.

Os metais industriais, conforme indicado pelo London Metal Exchange Index, de seis contratos, subiram mais de 40 por cento nos últimos dois anos devido à demanda global constante e a restrições da oferta, com um salto de 84 por cento no zinco e um ganho de 59 por cento no níquel.

"O crescimento está se estabilizando", disse Daniel Hynes, analista sênior de commodities da Australia & New Zealand Banking Group, em referência à China. "As medidas de reforma do lado da oferta continuam em andamento". Embora existam alguns riscos, "continuo caracterizando isso como um cenário relativamente positivo", disse ele.

--Com a colaboração de Xiaoqing Pi

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