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316 homens e só 14 mulheres lideram tradings de commodities

Andy Hoffman, Agnieszka de Sousa, Javier Blas e Laura Hurst

(Bloomberg) -- Nos escalões mais elevados da liderança das maiores tradings de commodities do mundo, menos de 5 por cento são mulheres.

Esta é uma estatística que mostra a desigualdade de gênero em um negócio de US$ 2 trilhões que compra, vende e transporta de tudo, desde petróleo e açúcar até cobre, abastecendo a economia global com matérias-primas. Alguns titãs do setor -- Glencore, Vitol Group e Trafigura Group -- não têm mulheres em cargos executivos seniores.

"As mesas de trading de commodities podem ser lugares muito assustadores para as mulheres", disse Roxana Mohammadian-Molina, ex-estrategista de commodities de um banco de investimento, que atuou 10 anos no setor e atualmente trabalha na plataforma de empréstimos ponto a ponto Blend Network. "O conjunto de habilidades de sobrevivência necessário é semelhante ao de um domador que entra na jaula do leão."

No último ano, líderes empresariais e políticos do mundo enfrentaram um acerto de contas graças ao movimento #MeToo e à divulgação de dados de desigualdade salarial no Reino Unido, que lançaram luz sobre a amplitude da discriminação de gênero.

A disparidade entre homens e mulheres na liderança das tradings de commodities é mais ampla do que na maioria das instituições financeiras americanas e das empresas blue-chip do Reino Unido. Mas, a exemplo dos outros negócios, os motivos são complexos.

A cultura empresarial não evoluiu tanto nas últimas décadas e há pouco apoio ao trabalho flexível. Acordos multimilionários muitas vezes são fechados com um aperto de mão após um jantar de madrugada ou drinques em bares de hotéis. Uma das maiores tradings de metais realiza uma festa anual no Playboy Club, em Londres.

Setores relacionados, como petróleo e mineração, também têm dificuldades para atrair mulheres. Além disso, muitas das principais tradings são de capital fechado, por isso enfrentam menos escrutínio dos investidores e da imprensa.

"Isso é algo que precisa mudar", disse Marco Dunand, CEO da Mercuria Energy Group em Genebra. "O problema é: como atrair mais mulheres para o setor de trading? Contar com mais mulheres enriquece a empresa. Vejo isso sob uma perspectiva de valor."

A Mercuria tem uma proporção relativamente alta de mulheres. Elas ocupam quatro dos 12 principais cargos de liderança.

A Bloomberg News rastreou os números de homens e mulheres nos comitês executivos de 40 das maiores tradings agrícolas, de energia e de metais. As estatísticas são baseadas em informações de relatórios anuais, comunicados ao mercado, websites corporativos e entrevistas.

A Glencore informou que 40 por cento de sua equipe de negócios é feminina e preferiu não fornecer mais informações. A Vitol e a Trafigura preferiram não comentar.

Na Louis Dreyfus, os 23 executivos que administram as operações do dia a dia são homens. Entre as maiores, a trading agrícola é a única controlada por uma mulher, a bilionária Margarita Louis-Dreyfus, presidente do conselho da empresa.

'Benefícios positivos'

A empresa afirma que está tomando medidas para aumentar a diversidade e a inclusão. "Reconhecemos os benefícios positivos que a questão pode ter no desempenho e na cultura do negócio", afirmou a Louis Dreyfus, em comunicado.

Três empresas -- Mercuria, Archer-Daniels-Midland e Cargill -- representam mais da metade das mulheres em cargos seniores.

Há duas mulheres na equipe de liderança da ADM, formada por 21 pessoas. A empresa informou que ampliou em 30 por cento a contratação de mulheres em sua unidade de trading americana nos últimos três anos.

A Cargill conta com duas mulheres e sete homens no comitê executivo. "Temos de apoiar e elevar as mulheres -- e todas as minorias sub-representadas dos EUA -- em todos os níveis da organização", afirmou Demetha Sanders, líder de inclusão e diversidade da trading com sede em Minneapolis, nos EUA.

--Com a colaboração de Jack Farchy Mario Parker Isis Almeida e David Hellier

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