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China cria máquina de propaganda para melhorar imagem global

Keith Zhai

(Bloomberg) -- A China aprovou a criação de uma das maiores máquinas de propaganda do mundo para melhorar sua imagem global, segundo uma pessoa a par do assunto.

A nova emissora se chamará "Voice of China", disse a pessoa, uma imitação do "Voice of America", serviço financiado pelo governo dos EUA criado durante a Segunda Guerra Mundial para promover os interesses americanos. A Bloomberg News já havia noticiado que a nova entidade seria criada por meio da fusão da China Central Television, da China Radio International e da China National Radio.

O grupo combinado deverá reforçar a capacidade do partido de moldar a opinião pública e serviria como principal veículo para a China projetar sua imagem ao mundo, disse a pessoa, que pediu anonimato porque as mudanças não foram anunciadas publicamente.

O esforço de ampliação do alcance da propaganda da China se dá em um momento de aumento da sensibilidade no Ocidente em relação aos esforços russos para influenciar o discurso político por meio de veículos de comunicação como a RT, emissora anteriormente conhecida como Russia Today. A CCTV atualmente conta com mais de 70 escritórios no exterior e a China Radio International transmite em mais de 60 idiomas.

A mudança faz parte da abrangente reforma do governo do presidente Xi Jinping para dar ao partido um controle maior sobre tudo, desde serviços financeiros e manufatura até entretenimento. O Escritório de Informação do Conselho de Estado, que representa o governo central, disse na terça-feira que não tinha informações relacionadas ao assunto.

Imagem negativa

A China busca conter as tensões decorrentes dos planos de financiar centenas de bilhões de dólares em projetos de infraestrutura por meio da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, um plano de Xi. Políticos de países como EUA, Alemanha e Austrália alertaram sobre as intenções da China, que está reforçando seu Exército e investindo mais no exterior.

A China tem investido bilhões de dólares em propaganda como parte de uma iniciativa de soft power (poder suave) que já dura décadas e engloba a construção de centros culturais em universidades estrangeiras. Ainda assim, em países como Japão, Alemanha e Itália, a maior parte das populações tem uma imagem negativa da China, segundo pesquisa de 2017 do Pew Research Center.

Desde que assumiu o poder, em 2012, Xi reforçou os controles sobre a liberdade de expressão e procurou reformular as organizações estatais de mídia da China. "Os órgãos de comunicação administrados pelo partido e pelo governo são as frentes de propaganda e devem ter o partido no nome", disse em visita às emissoras estatais, em 2016.

A nova emissora seria uma das maiores do mundo. A CCTV tem pelo menos 10.000 funcionários, a China National Radio tem mais de 2.100 e a China Radio International, cerca de 2.000, segundo dados oficiais.

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