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Macron quer que Europa esqueça medos do Facebook e adote IA

Helene Fouquet e Marie Mawad

21/03/2018 11h13

(Bloomberg) -- Enquanto o Facebook está causando indignação em grande parte do Ocidente devido às notícias sobre suas práticas de compartilhamento de dados, Emmanuel Macron quer que os europeus relaxem quanto ao uso de suas informações.

O presidente de 40 anos está intensificando os esforços franceses na corrida para implementar a inteligência artificial, mas está sendo refreado pela cultura de privacidade da Europa. As notícias de que o Facebook permitiu que cerca de 50 milhões de perfis dos EUA alimentassem algoritmos da campanha eleitoral de 2016 provavelmente não o ajudarão a defender seu argumento.

E isso é um problema para os pesquisadores que tentam transpor os limites da inteligência artificial: grandes quantidades de dados são a matéria-prima que seus supercomputadores usam para aprender. Sem isso, cientistas europeus estão lutando contra seus rivais nos EUA e na China com uma enorme desvantagem.

"Acessar dados - esse é o principal desafio, o maior obstáculo", disse Cédric Villani, um matemático de renome internacional a quem Macron recorreu para liderar sua iniciativa tecnológica.

O presidente enfatizou o desafio enfrentado pela Europa em uma visita de três dias à China em janeiro, onde testemunhou a profundidade e o escopo da coleta de dados chinesa. A União Europeia precisa "avançar rapidamente" para criar "um mercado único acessível para nossos atores de big data", disse ele em Pequim. Segundo ele, a UE precisa decidir qual modelo de exploração de dados deseja.

Macron pretende usar a tradicional excelência francesa em matemática para colocar seu país no centro de um ecossistema europeu de tecnologia que rivalize com o dos EUA e da China.

Gênio da matemática

Villani recebeu a Medalha Fields - o prêmio Nobel do mundo da matemática - em 2010. E as escolas de elite de Paris só enfrentam a concorrência de Harvard e Princeton no número de vencedores produzidos ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, Paris está ganhando terreno como centro europeu de pesquisa: Google, da Alphabet, e Facebook prometeram no início deste ano contratar funcionários e investir em laboratórios na cidade.

Villani pretende unir esses elementos em sua estratégia de IA que será publicada na próxima semana. Ele disse que enfatizará que indivíduos, empresas e governos precisam compartilhar mais dados em toda a Europa.

Existem duas grandes barreiras culturais para um maior compartilhamento na Europa, disse ele, em entrevista: os europeus ainda consideram que seus mercados são puramente nacionais e o compartilhamento de dados é visto como uma vantagem competitiva. Na França, 70 por cento das pessoas temem a coleta de dados pessoais quando usam mecanismos de busca na internet, de acordo com uma pesquisa publicada em dezembro pela Digital Economy Association.

"As empresas passaram anos construindo muros para proteger seus dados, porque foram informadas que os dados são ouro e que é essencial protegê-los", disse Olivier Lluansi, sócio da EY na França, em entrevista. "Na IA, quanto mais dados se compartilha, mais forte se cresce: é uma grande mudança de mentalidade."

O segredo, disse Villani, é fazer com que as pessoas entendam que compartilhar dados não significa necessariamente comprometer a privacidade.

O velho continente dará um pequeno passo para o futuro no próximo mês, quando seu Regulamento Geral de Proteção de Dados entrar em vigor. Villani diz que as regras representam uma melhoria nas normas de privacidade, mas muito mais precisa ser feito para que a UE possa competir na vanguarda do desenvolvimento tecnológico global.

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